Violência sem fim

Atlas da Violência aponta Acre como um dos lugares mais violentos do mundo

Foi publicado nesta quarta-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Atlas da Violência, um estudo feito com dados baseados no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde para avaliar a situação da violência no país. O estudo pegou como base o ano de 2017 e os dados são assustadores, o Brasil registrou 65.602 mortes por assassinato naquele ano (31,6 a cada 100 mil habitantes) e foi o maior nível já registrado no país, as principais vítimas são jovens entre 15 e 29 anos de idade, 91,8% são homens e 77% dos assassinatos são realizados por armas de fogo. Os estados que registraram a menor taxa de homicídio equivalente a sua população foram São Paulo, Santa Catarina e Piauí, enquanto no topo da lista como estados mais violentos estão Rio Grande do Norte, Acre e Ceará.

Apesar de ter conseguido reduzir gradativamente esse índice nos anos seguintes, o Acre apresentou em 2017 uma taxa de 62,2 homicídios para cada 100 mil habitantes e só perdeu para o Rio Grande do Norte que registrou 62,8 – a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como epidêmica qualquer região que tenha taxas acima de 10,0. – Para fins de comparação, no mesmo ano o país que registrou a maior taxa de homicídios do mundo foi El Salvador com 60, o que significa que se o Acre fosse um país, seria um dos primeiros da lista de lugares mais violentos do mundo.

Guerra entre facções foi o principal fator para o número alarmante

Segundo o pesquisador Daniel Cerqueira do IPEA, a guerra entre duas das principais organizações criminosas do país que teve início entre junho e julho de 2016 foi o principal fator para o aumento dos índices de violências não só no Acre, como em todo o país, afetando principalmente as regiões Norte e Nordeste. Ainda segundo o pesquisador, em 2000 eram conhecidas quatro facções estruturadas no país, hoje já se conhece mais de 70.

Essas regiões foram as mais afetadas devido à expansão repentina dessas organizações criminosas para outros estados a fim de ampliar os seus “negócios”, isso fez com que grupos locais tentassem se opor a chegada de organizações maiores e que por falta de estrutura acabaram se aliando à organizações rivais, unindo isso com a falta de preparo nas políticas de segurança pública desses estados teve como resultado uma total falta de controle por um tempo.O estudo também confirma que o crescimento econômico da região Norte contribuiu para essa “nova realidade”, pois além de serem Estados de fronteira, vistos como porta de entrada para drogas, o mercado local também passou a consumir às drogas e alimentar esse mercado ilegal.