Quantos bois cabem no caminhão boiadeiro e por que essa conta impacta o bolso do produtor

Capacidade de carga, bem-estar animal e custo do frete tornam o transporte de gado uma decisão estratégica na pecuária.

Quantos bois cabem em um caminhão boiadeiro? Vale a pena levar mais animais por viagem ou reduzir a lotação? O tipo de caminhão realmente influencia o custo final da operação? Essas perguntas estão no centro do planejamento do transporte de gado, uma etapa decisiva da cadeia pecuária que impacta diretamente a rentabilidade, o bem-estar animal e a eficiência logística.

Da fazenda ao frigorífico, o transporte de bovinos exige atenção técnica. A escolha correta do caminhão boiadeiro influencia o custo por cabeça, o nível de estresse dos animais e até o rendimento de carcaça. Seja no deslocamento de bezerros, na transferência entre propriedades ou no envio de bois gordos para abate, cada decisão interfere no resultado final da operação.

No Brasil, existe uma ampla variedade de composições, desde caminhões menores usados em trajetos curtos até bitrens e rodotrens que cruzam estados. A capacidade de carga não depende apenas do tamanho do veículo, mas também do peso médio dos animais, do número de pisos da carroceria, do limite legal de peso bruto total e das exigências sanitárias e de conforto.

Embora a pergunta “quantos bois cabem” seja comum no campo, especialistas alertam que exceder a lotação recomendada gera prejuízos. O excesso de animais aumenta o estresse, eleva o risco de quedas e contusões, reduz o desempenho no frigorífico e ainda expõe produtor e transportador a penalidades legais e autuações.

Por outro lado, subutilizar a capacidade do caminhão encarece o frete e reduz a eficiência logística. O equilíbrio está em respeitar os limites técnicos e legais, garantindo conforto, segurança e viabilidade econômica. A legislação brasileira exige informações corretas na GTA, pisos antiderrapantes, divisórias internas, distribuição equilibrada do peso e paradas para descanso, água e alimentação em viagens longas.

Outro fator decisivo é o peso do animal. Não existe um número fixo universal para todos os casos. Um boi gordo para abate pesa, em média, entre 450 e 550 quilos, enquanto um bezerro desmamado pode variar de 160 a 250 quilos. Isso significa que a mesma carroceria comporta menos animais adultos ou um número bem maior de animais jovens, sempre respeitando os limites legais.

A definição correta do tipo de caminhão e da lotação impacta diretamente o negócio. Custo do frete por cabeça, redução de perdas por contusão, melhor rendimento de carcaça e maior eficiência logística são alguns dos ganhos associados a um transporte bem planejado, especialmente em períodos críticos como safra e entressafra.

Antes de fechar um frete, o produtor precisa avaliar peso médio do lote, distância, tipo de estrada, tempo de viagem e estrutura do caminhão. Mais do que “caber”, o gado precisa viajar bem. Um transporte correto preserva o valor do animal, reduz riscos operacionais e fortalece a sustentabilidade e a competitividade da pecuária brasileira.

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