Produtor rural entra em um novo ciclo de pressão fiscal e precisará controlar custos com precisão para manter margens.
Como enfrentar 2026 em meio a juros elevados, mudanças tributárias e um cenário político incerto? O produtor rural está preparado para absorver o aumento de impostos e obrigações fiscais? Será possível manter rentabilidade em um ambiente de margens cada vez mais apertadas? Essas são algumas das perguntas que passaram a dominar o debate no agronegócio após o encerramento de 2025, um ano marcado por incertezas fiscais, creditícias, eleitorais e internacionais.
A avaliação feita no fim do ano passado foi clara: 2026 exigirá ainda mais do empreendedor do campo. O desafio se torna maior porque boa parte dos fatores que impactam o agronegócio escapa totalmente ao controle do produtor rural, incluindo decisões de política econômica, alterações legislativas e movimentos do mercado internacional.
Por outro lado, os custos do negócio rural, cuja formação de preços ocorre em grande medida de trás para frente, a partir das cotações das commodities, estão parcialmente sob o controle do produtor. Mesmo influenciados por câmbio, juros e carga tributária, esses custos podem ser administrados com planejamento. Nesse contexto, controlar despesas na ponta do lápis deixa de ser opção e passa a ser condição de sobrevivência.
A próxima safra 2026/2027 já nasce sob a perspectiva de aumento de custos operacionais e elevação das obrigações fiscais. Diante desse cenário, ganha relevância a adoção de estratégias mais eficientes de gestão, capazes de proteger margens em um ambiente cada vez mais hostil ao erro.
É a partir dessa realidade que se inicia uma série de análises voltadas à gestão de custos no agronegócio, tendo como ponto de partida o aumento da carga tributária para produtores rurais organizados tanto como pessoa física quanto como pessoa jurídica. Em 2026, margens e resultados dependerão, mais do que nunca, das decisões tomadas na estruturação da atividade rural.
Mais do que a conhecida Reforma Tributária do Consumo, cujos efeitos mais diretos só serão sentidos a partir de 2027, chama atenção a avalanche de normas tributárias editadas no final de 2025, com impactos imediatos sobre o campo já neste ano. Essas mudanças alteram de forma significativa o ambiente fiscal do agronegócio.
Entre elas, destaca-se a Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025, que institui uma tributação mínima sobre altas rendas. Na prática, a norma eleva o custo fiscal do produtor rural pessoa física, permitindo uma incidência de até 10% sobre valores que excederem R$ 1,2 milhão por ano, regra que já vale para o Imposto de Renda apurado a partir de janeiro de 2026.
Para quem atua via CNPJ, o impacto veio com a Lei Complementar nº 224, de 26 de dezembro de 2025, que aumentou a base de cálculo do Imposto de Renda no regime de lucro presumido, amplamente utilizado no setor agropecuário. A margem presumida passou de 8% para 8,8%, afetando produtores com faturamento anual de até R$ 78 milhões, o que evidencia uma escolha clara de elevar a carga tributária sobre médios produtores.
Enquanto isso, a Reforma Tributária do Consumo fica, na prática, para 2027, mas já impõe ajustes em 2026, especialmente em relação a controles, emissão de notas fiscais e procedimentos operacionais. Paralelamente, o governo tem recorrido a tributos fora do escopo da reforma para tentar fechar o rombo fiscal em um ano eleitoral.
Diante desse emaranhado de regras, a boa gestão fiscal e de custos se torna indispensável. As mudanças não apenas elevam a carga tributária, mas também aumentam os custos de conformidade. Em um ambiente cada vez mais desafiador, o produtor rural que souber gerir, planejar e arbitrar custos, inclusive os fiscais, terá vantagem competitiva e maiores chances de atravessar 2026 com sustentabilidade econômica.



