O Brasil bateu recorde de faturamento com as exportações de café em 2025, atingindo US$ 15,58 bilhões. Na comparação com o ano anterior, o resultado é 24,1% maior. No entanto, o volume embarcado teve uma queda de 20,8%, chegando a aproximadamente 40 milhões de sacas de 60 quilos.
Os dados estão no relatório estatístico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgado nesta segunda-feira, 19. No último mês de 2025, o desempenho foi de 3,1 milhões de sacas exportadas (-20,2%) e um rendimento de US$ 1,3 bilhão (+10,7%).
Na avaliação do Cecafé, alguns fatores contribuíram para esse cenário, de queda nos volumes, mas bom resultado no faturamento. Um deles é que o ano de 2024 se mostrou diferente dos demais, em que o Brasil produziu mais café. Somado a isso, outros países produtores, como Colômbia e Vietnã, tiveram boas colheitas. Além disso, o tarifaço dos Estados Unidos afetou o número de embarques gerais.
Por outro lado, uma oferta mais justa e com uma demanda crescente ajudam a explicar a manutenção dos preços em níveis altos. “Esse conjunto de fatores, eu acho que faz com que o preço siga firme em patamares elevados, porque o mundo consome café. E a produção hoje, como não há esse excesso de oferta e baixos estoques, vive sempre refletindo os impactos climáticos que acontecem no Brasil e fora do Brasil”, comentou o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron.
Tarifaço faz EUA perderem liderança entre principais destinos
As tarifas de 10%, aplicadas em abril, e mais 40%, aplicadas em agosto, afetaram os embarques para os Estados Unidos. Foram enviados aos norte-americanos 5,3 milhões de sacas, o que é 33,9% menor do que em 2024.
Com esse cenário, a Alemanha tomou a liderança dos embarques, com 5,4 milhões de sacas. Apesar disso, esse volume é 28,7% menor do que o ano anterior. Entre os dez principais destinos, apenas três tiveram um aumento na quantidade embarcada:
Alemanha: 5,4 milhões de sacas (-28,79%);
Estados Unidos: 5,3 milhões de sacas (-33,9%);
Itália: 3,1 milhões de sacas (-19,63%);
Japão: 2,6 milhões de sacas (+19,4%);
Bélgica: 2,3 milhões de sacas (-47%);
Turquia: 1,5 milhão de sacas (+3,26%);
Países Baixos: 1,4 milhão de sacas (-6,89%);
Rússia: 1,3 milhão de sacas (-3,45%);
Espanha: 1,2 milhão de sacas (-24,27%);
China: 1,1 milhão de sacas (+19,49%).
Perspectiva de crescimento para 2026
Com os atuais dados e o andamento da safra brasileira de café, o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, prevê que 2026 vai apresentar um volume de exportação superior a 40 milhões de sacas. Porém, ele não quis projetar um número, já que a fase atual das lavouras é de enchimento de grãos, uma época sensível na safra.
Ele lembra da situação do café solúvel, cujo principal destino são os Estados Unidos e que segue com a tarifa de 50%. Em 2025, foram 3,6 milhões de sacas vendidas ao exterior (-10,6%), queda causada, principalmente, pelo tarifaço.
“As nossas perspectivas são de exportações melhores do que esse ano passado, ainda que com esse problema que nós temos hoje no café solúvel, mas as expectativas são muito boas, porque o que nós perdemos de mercado, não é que nós perdemos, os outros ganharam porque tiveram safras muito superiores, enquanto a nossa safra era muito menor. E a gente sabe que, quando o Brasil tem safras boas, principalmente no arábica, a tendência dele é não esperar. Ele antecipa as vendas”, completou Ferreira.



