Fontes ligadas à investigação do escândalo no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) afirmam que um dos presos na mais recente fase da operação avalia firmar acordo de colaboração premiada. O investigado, ex-diretor de uma das entidades envolvidas, estaria disposto a apresentar novos elementos sobre o funcionamento do esquema e seus participantes.
De acordo com relatos colhidos em conversas reservadas, pessoas próximas a um dos dez alvos de prisão preventiva indicam que o ex-dirigente demonstrou incômodo com o isolamento político desde o avanço das investigações. A percepção, segundo essas fontes, é de abandono por parte de aliados e de outros atores que integrariam o grupo responsável por descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
A prisão ocorreu no momento em que a Polícia Federal direcionava esforços para o núcleo financeiro da organização. Com contas bancárias bloqueadas e sem apoio financeiro para custear a defesa, o investigado passou a considerar a possibilidade de “abrir o jogo” às vésperas da retomada dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Antes com trânsito entre políticos e dirigentes de instituições em Brasília, o ex-diretor tem relatado a interlocutores sentir-se isolado. As informações preliminares indicam que seus advogados devem procurar o Ministério Público para iniciar tratativas formais sobre um eventual acordo de colaboração.
A possibilidade de delação ocorre em meio a uma investigação que já alcançou o Supremo Tribunal Federal e cita o senador Weverton Rocha (PDT-MA). A movimentação tem causado apreensão no meio político, diante do temor de que a colaboração possa trazer à tona nomes ligados ao Congresso Nacional. Apesar do interesse manifestado, ainda não há data definida para o início das negociações.



