O preço da saca de milho, que desde o início de janeiro tem girado em torno de R$ 67, segundo o indicador Cepea, base Campinas, pode ganhar força nos próximos meses e se aproximar dos patamares observados durante a safra 2024/2025. No ciclo passado, a saca de 60 quilos chegou a ser negociada perto de R$ 90 na mesma praça.
Segundo Nathalia Giannetti, especialista sênior da Argus Media, esse movimento pode ocorrer devido à crescente competição entre o milho destinado à exportação e o consumo doméstico. “A demanda doméstica tomou um espaço muito relevante no mercado brasileiro nos últimos dois anos, influenciando preços e bases de forma cada vez mais consistente”, afirmou, durante webinar da Argus, nesta quinta-feira, 22.
A especialista lembra que, atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, atrás dos Estados Unidos e da China. Na temporada atual (2025/26), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o País colherá a segunda maior safra: 141,7 milhões de toneladas. “Mesmo com uma safra grande, a disputa entre exportação e etanol doméstico deve continuar intensa, o que pode provocar novas altas de preços, semelhantes às observadas entre 2024/2025”, disse. Ela ressalta que, nesse contexto, existem as exportações, que devem se recuperar após a desaceleração nas duas últimas temporadas.
Paralelamente a esse cenário, está o contexto de oferta global elevada. Segundo análise de Libin Zhou, gerente de pesquisa agrícola na Bolsa de Valores de Londres (LSEG), a produção global de milho em 2025/2026 deve aumentar cerca de 69 milhões de toneladas. O incremento é impulsionado principalmente por Estados Unidos, Ucrânia, China e América do Sul, atingindo 1,29 bilhão de toneladas.
Zhou destaca, ainda, que o aumento da oferta deve ser acompanhado por uma expansão do consumo, especialmente nos Estados Unidos e no Brasil – também sustentada pela maior demanda por milho para etanol. “Os estoques globais de milho para 2025/2026 são projetados para aumentar cerca de 26 milhões de toneladas, porque o crescimento da produção supera a expansão de consumo, baseado na nossa análise”, salienta a especialista da LSEG.
No radar da LSEG, está também um possível aumento da demanda por milho. Libin lembrou que, nos últimos dois anos, devido a estoques robustos, os chineses reduziram suas importações de milho. “Os estoques de milho da China recuaram de forma significativa, com queda por dois anos consecutivos. Diante desse cenário, a expectativa é que o país volte a ampliar as importações de milho neste ano para recompor seus estoques”, apontou.



