Falsificação de insumos agrícolas cresce e coloca safra em risco; como comprar com segurança

A compra de insumos é uma das decisões mais estratégicas de uma safra — e não apenas pelo peso no custo de produção. Em um cenário de avanço da falsificação de insumos agrícolas – defensivos agrícolas e sementesprodutores rurais precisam redobrar a atenção para evitar que um “atalho” na negociação se transforme em prejuízo na lavoura, perda de produtividade e até problemas legais.

O alerta vem da CropLife Brasil, que reforça que o uso de produtos ilegais representa riscos econômicos e agronômicos, além de impactos diretos sobre meio ambiente e saúde humana. Em outras palavras: durante a safra, comprar certo é tão importante quanto plantar e colher.

Por que esse problema é tão grave no campo?

A falsificação de insumos agrícolas não é apenas uma fraude comercial. Ela altera a previsibilidade do manejo e pode comprometer todo o planejamento técnico da fazenda. Segundo o material divulgado, produtores precisam estar atentos tanto na compra de defensivos quanto de sementes, porque a irregularidade afeta diretamente os resultados no campo e a segurança da operação.

E há um ponto crítico: em alguns cenários de pressão regional e climática, o risco aumenta e a tentação por “soluções baratas” pode crescer — justamente no momento em que o produtor mais precisa de eficiência e controle.

Falsificação de insumos agrícolas. Foto: Vinícius Mendonça/ Ibama

Os sinais mais comuns de falsificação de insumos agrícolas (e como identificar)

A boa notícia é que produtos falsificados costumam apresentar indícios que podem ser observados antes mesmo de chegar ao pulverizador ou ao plantio. Os sinais aparecem desde a origem da compra até a embalagem e a documentação.

1) Local da compra: origem desconhecida é o primeiro alerta

Um dos principais indicativos de irregularidade é quando o produto é oferecido em canais sem procedência confiável. O comunicado reforça um ponto direto: defensivos químicos não podem ser comercializados pela internet. A compra deve ocorrer em cooperativas credenciadas e distribuidores autorizados, com nota fiscal e receita agronômica.

Além disso, a produção legal ocorre em instalações devidamente credenciadas e fiscalizadas por órgãos como MAPA, Anvisa, Ibama, além de estruturas estaduais de defesa agropecuária.

2) Preço muito abaixo do mercado: desconfie

Promoções existem, mas preço “milagroso” costuma ter custo oculto. Valores incompatíveis com o mercado são considerados sinal de alerta, porque defensivos e sementes industrializados possuem custos ligados a pesquisa, desenvolvimento, registro, produção e logística.

Ou seja: quando a oferta foge completamente da realidade do mercado, o produtor precisa ligar o radar.

3) Embalagem com sinais de violação ou reaproveitamento

Outro ponto forte está na análise da embalagem e do produto físico. A CropLife Brasil alerta que embalagens reutilizadas e manipuladas podem indicar produto falsificado ou contrabandeado. Insumos regularizados seguem normas de envasamento, rotulagem, armazenamento e transporte, e devem conter selo de segurança, lacre de inviolabilidade, rótulo com identificação, bula e produto interno original.

Também há uma exigência básica: as informações devem estar em português, o que ajuda a identificar fraudes e produtos irregulares.

Como confirmar se o produto é original: 3 checagens práticas

Além de observar sinais externos, o produtor pode fazer verificações diretas para confirmar a autenticidade. De acordo com a orientação do gerente de Combate a Produtos Ilegais da CropLife Brasil, Nilto Mendes, a conferência pode ser feita por caminhos como: uso de aplicativos disponibilizados por fabricantes, consulta ao Sistema AGROFIT (MAPA) e contato com o SAC das empresas, cujos canais aparecem nos rótulos.

Na prática, isso significa que, antes de abrir o produto e aplicar, vale conferir cada detalhe — e exigir rastreabilidade.

falsificação de insumos agrícolas
Foto: Vinícius Mendonça/ Ibama

Os riscos no manejo: o barato pode custar a safra

Os impactos da falsificação vão muito além de uma falha pontual. Segundo o alerta, produtos falsificados trazem riscos à sustentabilidade da lavoura, ao meio ambiente e à saúde do consumidor, além de afetarem também trabalhadores e comunidades em regiões agrícolas.

E o principal prejuízo para o produtor aparece como insegurança produtiva:
sem procedência confiável, não há garantia de eficiência no controle de pragas, doenças e plantas daninhas, comprometendo o desempenho e a previsibilidade dos resultados.

Números do mercado ilegal: sementes e defensivos na mira

Os dados citados no material indicam que o problema tem escala nacional — e bilionária.

  • A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) aponta que cerca de 30% do mercado de sementes tem origem desconhecida.
  • O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) estima que 25% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil seja ilegal.

Em soja, o impacto financeiro é ainda mais direto. Um estudo realizado em 2025 pela entidade, em parceria com a Céleres Consultoria, apontou que a pirataria de sementes de soja gera perdas de cerca de R$ 10 bilhões ao ano, afetando agricultores, indústria de sementes, processamento de grãos e exportações.

A estimativa é de que sementes ilegais ocupem 11% da área plantada no Brasil, mas no Rio Grande do Sul o cenário pode ser bem mais grave: 28%, quase o triplo da média nacional. No caso dos defensivos, levantamento do Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP) apontou perdas de R$ 21 milhões com pirataria e contrabando em 2022.

Regionalização: quando o clima abre espaço para o golpe

Um dos pontos mais relevantes do alerta é a conexão entre pressão climática e aumento do risco de compra irregular. O problema tende a se agravar quando se combina com condições ambientais dos biomas e pressões climáticas específicas de cada região, variando também com o calendário de plantio. Esse ambiente cria oportunidade para falsificação e contrabando de insumos.

Um exemplo citado foi o aumento da incidência de ferrugem asiática no Sul do Brasil. Em janeiro, o programa de monitoramento conduzido pela Emater-RS emitiu alerta sobre predisposição climática para ocorrência da doença, após aumento de esporos registrado em dezembro de 2025.

Nesse cenário, surgem “ofertas” com preço abaixo do mercado prometendo controle — e o risco é claro: o produtor pode comprometer toda a safra ao usar produto sem procedência, adquirido fora da rede credenciada.

Como se proteger na prática: o que muda na rotina da fazenda

A CropLife Brasil defende que a proteção contra falsificação e ilegalidade começa com boas práticas agrícolas, com foco em informação técnica em todas as etapas: uso correto de insumos e cumprimento das recomendações na produção, processamento e transporte.

Outro ponto importante é o fortalecimento das denúncias. A entidade mantém canal de denúncias, complementar ao dos órgãos fiscalizadores, para receber informações sobre produtos ilegais — inclusive de forma anônima — e encaminhar às autoridades públicas.

Além disso, a busca direta pelas empresas fabricantes é um meio de checagem, e a CropLife Brasil afirma apoiar ações de investigação e fiscalização estadual e federal no combate ao mercado ilegal.

como se proteger da falsificação de insumos agrícolas

O que diz a legislação: falsificar ou comprar pode dar problema

O Brasil possui um conjunto de leis que regula pesquisa, produção, registro, comercialização, uso e fiscalização de insumos agrícolas. Entre as citadas estão:

  • Lei dos Agrotóxicos (Nº 14.785/2023)
  • Lei dos Bioinsumos (Nº 15.070/24)
  • Lei de Proteção de Cultivares (Nº 9.456/1997)
  • Lei dos Fertilizantes (Nº 6.894/1980)

O descumprimento compromete a rastreabilidade e expõe o agricultor a riscos agronômicos, ambientais e legais. E o alerta é direto: no Brasil, produtores que falsificam ou adquirem produtos falsificados podem responder criminalmente.

Checklist rápido: 8 regras para não cair em golpe da falsificação de insumos agrícolas

Para fechar, um resumo prático do que o produtor precisa garantir antes de fechar qualquer compra:

✅ Comprar apenas de cooperativas credenciadas e distribuidores autorizados
✅ Exigir nota fiscal e receita agronômica
✅ Desconfiar de preço muito abaixo do mercado
✅ Evitar produto de origem duvidosa
✅ Conferir se a embalagem tem lacre e selo de inviolabilidade
✅ Verificar rótulo, bula e informações em português
✅ Consultar AGROFIT (MAPA) ou aplicativos do fabricante
✅ Confirmar via SAC do fabricante antes de aplicar no campo

No fim, a lógica é simples: produto regular é parte do seguro da safra. Em tempos de margens apertadas, pragas mais agressivas e clima instável, qualquer compra errada pode custar caro — e a falsificação tem mostrado que o risco não é mais exceção, é ameaça constante.

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