Sebrae aponta avanço contínuo das IGs, fortalecimento da economia local e destaque para cafés especiais e o açaí de Feijó.
O número de Indicações Geográficas no Brasil deve continuar em trajetória de crescimento nos próximos anos. A estimativa é de um avanço médio de 20% ao ano, mantendo o ritmo observado nos últimos cinco anos, segundo a coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht. O cenário reflete o fortalecimento de políticas de valorização da produção regional e da identidade territorial dos produtos brasileiros.
O registro das Indicações Geográficas é realizado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Em 2020, o país contava com 73 certificações. Ao final de 2025, esse número chegou a 150 registros, representando um crescimento de 105,4% no período, consolidando o Brasil como um dos países que mais avançam nesse tipo de reconhecimento.
O Sebrae tem papel central nesse processo, atuando na identificação de produtos com potencial para obtenção da IG e no apoio técnico aos produtores durante todas as etapas de reconhecimento. Somente no último ano, a instituição mapeou 69 territórios com aptidão para receber o selo, abrangendo diferentes cadeias produtivas e regiões do país.
Segundo Hulda Giesbrecht, o caminho até o registro exige tempo e organização. A fase de estruturação anterior ao protocolo do pedido junto ao INPI costuma levar pelo menos 18 meses. Após essa etapa, a análise do instituto leva, em média, mais 12 meses até a decisão final.
De acordo com a coordenadora, esse prazo é fundamental para a mobilização dos produtores, construção de uma governança sólida, consolidação de evidências técnicas e realização de análises detalhadas que comprovem o vínculo do produto com o território. Esses elementos são determinantes para o sucesso do pedido de IG.
A Indicação Geográfica é um reconhecimento concedido a produtos ou serviços que apresentam características específicas ligadas à sua origem. Essas particularidades conferem qualidade, reputação e valor agregado, além de proteger os modos tradicionais de produção e fortalecer a identidade regional no mercado.
Existem dois tipos de Indicações Geográficas no Brasil. A Indicação de Procedência reconhece localidades que se tornaram conhecidas como polos de produção ou extração de determinado produto ou serviço. Já a Denominação de Origem identifica produtos cujas qualidades estão diretamente ligadas ao ambiente geográfico, considerando fatores naturais e humanos.
Entre os produtos com maior número de registros no país, o café ocupa posição de destaque. Atualmente, 20 IGs brasileiras são dedicadas a cafés produzidos em diferentes regiões, principalmente nos estados de Minas Gerais e São Paulo, concentradas majoritariamente na categoria de Indicação de Procedência.
Estimativas do Sebrae indicam que produtores localizados em regiões com IG faturaram cerca de R$ 80 bilhões em 2025. O valor representa aproximadamente 68% do total movimentado pelo mercado de café no Brasil, estimado em R$ 120 bilhões no mesmo período.
Nem todo o café produzido nessas regiões, no entanto, recebe o selo de IG. Parte da produção depende de técnicas específicas e é comercializada em microlotes, como o café frutuoso do sudoeste de Minas Gerais, que produz cerca de 100 sacas por ano com base em práticas de cultivo regenerativo.
Esse café recebeu o registro de IG há cerca de um ano e meio e já alcança mercados internacionais. Segundo o produtor Edivaldo de Oliveira, a certificação abriu portas para exportações e reconhecimento externo. Ele relata que a produção chegou ao Canadá após a participação como finalista em um concurso da Semana Internacional do Café.
Em 2026, a primeira Indicação Geográfica registrada no país foi a das tortas de Carambeí, no Paraná. Produzidas desde 1911 com influência dos imigrantes holandeses, as receitas mantêm o caráter artesanal e o uso de ingredientes locais. O turismo gastronômico leva cerca de 200 mil visitantes por ano à cidade, e a expectativa é de ampliação de mercados e maior valorização do produto.
Outro destaque recente é o açaí de Feijó, no Acre, que recebeu o primeiro registro de Indicação Geográfica do país para esse produto. Reconhecido pela espessura consistente e sabor mais adocicado, o açaí de Feijó teve o selo concedido pelo INPI após um trabalho conjunto do Sebrae, do Governo do Acre e de produtores locais desde 2021. Para a analista do Sebrae no Acre, Murielly Nóbrega, a IG representa reconhecimento, proteção, diferencial competitivo, fortalecimento da governança e estímulo direto à economia local.






