Boi gordo avança a R$ 325/@ com pecuaristas vencendo a “queda de braço” contra frigoríficos

mercado do boi gordo iniciou a semana em clima firme e com negócios acima das referências médias, consolidando um cenário em que o pecuarista volta a ditar o ritmo das negociações. Em algumas regiões, a arroba já encosta em R$ 325, refletindo uma combinação de fatores que vai da oferta restrita de animais terminados ao bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.

O movimento representa, na prática, uma vitória do produtor na chamada “queda de braço” com os frigoríficos, especialmente aqueles mais dependentes do mercado spot. Segundo analistas, a estratégia de cadenciar a oferta, aliada às boas condições das pastagens, tem limitado a capacidade da indústria de pressionar preços para baixo.

Desde o início do ano, o mercado físico já vinha dando sinais de maior resistência por parte dos pecuaristas. Agora, esse comportamento se intensifica. De acordo com Fernando Henrique Iglesias, consultor da Safras & Mercado, as escalas de abate mais ajustadas e o ritmo consistente de embarques criam um ambiente propício para novas altas no curtíssimo prazo, mesmo diante de um consumo interno ainda fragilizado .

Na prática, frigoríficos de menor porte sentem mais dificuldade para originar boiadas, enquanto indústrias maiores ainda encontram certo conforto em suas programações, sustentadas por contratos a termo e parcerias com confinadores. Ainda assim, a pressão de compra tende a aumentar à medida que as escalas encurtam e a oferta disponível no mercado físico permanece limitada.

Os números reforçam esse cenário. As cotações médias mostram avanço em diversas praças, com São Paulo operando acima de R$ 323/@, Minas Gerais e Goiás superando a faixa dos R$ 308/@, e Mato Grosso do Sul acompanhando o movimento de firmeza. Em negociações pontuais, sobretudo para animais com melhor padrão e prontos para exportação, valores mais elevados já aparecem no radar do mercado, sustentando a percepção de que a arroba pode testar patamares ainda mais altos nos próximos dias .

No mercado atacadista de carne bovina, o cenário segue mais cauteloso. Os preços mostram acomodação, refletindo a preferência do consumidor por proteínas mais baratas, como frango, ovos e embutidos. Além disso, despesas típicas do início do ano — como impostos e material escolar — continuam limitando o consumo de carne bovina no mercado doméstico. Mesmo assim, a oferta restrita de animais terminados tem funcionado como um amortecedor, impedindo quedas mais acentuadas nos preços da arroba .

Já no front externo, o desempenho segue sendo um dos principais pilares de sustentação do mercado. As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram mais de US$ 1 bilhão em janeiro, considerando apenas os primeiros dias úteis do mês, com média diária robusta. Esse fluxo ajuda a equilibrar a demanda e dá fôlego adicional para a indústria pagar mais pela matéria-prima, especialmente pelos animais com padrão exigido pelos compradores internacionais .

Com esse conjunto de fatores, o sentimento predominante no mercado é de cauteloso otimismo. Enquanto o pecuarista mantiver disciplina na oferta e as exportações continuarem firmes, a tendência é de sustentação — e até novos avanços — nos preços do boi gordo, mantendo a arroba em níveis elevados e reforçando o protagonismo do produtor nas negociações neste início de ano.

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