A fase de enchimento de grãos da soja, uma das mais sensíveis do ciclo produtivo, deve enfrentar desafios climáticos relevantes nos próximos meses nas principais regiões produtoras do País. A avaliação é da AtmosMarine, que aponta a combinação de chuvas irregulares e temperaturas elevadas como fator de risco para o potencial produtivo da cultura, com impactos distintos conforme a região.
No Centro-Oeste, janeiro registrou precipitações abaixo da média e má distribuição das chuvas. O cenário favorece o avanço da colheita em Mato Grosso, com menos interrupções operacionais, mas exige atenção para o retorno das chuvas nestes últimos dias do mês, sobretudo em áreas com lavouras em maturação avançada.
Para fevereiro, a tendência de menor volume de chuva e temperaturas próximas de 27 °C beneficia a conclusão da colheita em Mato Grosso e Goiás, ao mesmo tempo em que eleva o risco de estresse hídrico em lavouras de ciclo mais longo e em áreas de Mato Grosso do Sul, ainda entre o desenvolvimento vegetativo e a formação de vagens.
Sul concentra maior preocupação
No Sul do País, o quadro é mais delicado. No Rio Grande do Sul, onde cerca de 93% da área já foi semeada, a previsão de déficit hídrico no fim de janeiro e ao longo de fevereiro, associada a temperaturas elevadas, pode intensificar o estresse em lavouras que já sofreram com a estiagem registrada em novembro e dezembro.
No Paraná e em Santa Catarina, o tempo mais seco tende a favorecer a maturação e a colheita em parte das áreas. A elevação das temperaturas é prevista para fevereiro, podendo acelerar o ciclo das plantas e reduzir o peso final dos grãos em lavouras que ainda estão em enchimento.
Matopiba
Na região que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a situação requer acompanhamento contínuo. O mês de janeiro registrou a combinação de chuvas escassas e temperaturas em torno de 28 °C, dificultando a semeadura e o estabelecimento inicial das lavouras, sobretudo no Maranhão e na Bahia.
A mudança do padrão climático prevista para fevereiro, com volumes de chuva acima da média, pode favorecer a recomposição da umidade do solo, mas aumenta o risco de doenças fúngicas, demandando maior atenção fitossanitária.
Segundo a meteorologista Gabryele de Carvalho, da AtmosMarine, o acompanhamento regionalizado do clima é decisivo neste momento do ciclo. “A soja responde de forma muito sensível à disponibilidade hídrica durante o enchimento de grãos. Em um cenário de alta variabilidade climática, o produtor precisa olhar menos para o fenômeno global e mais para a previsão de curto e médio prazo, que define as janelas de manejo e o risco real de perda de produtividade”, afirma.



