Em artigo, Marcello Moura defende o futebol como ferramenta de inclusão social no Acre

O futebol como meio de inclusão social em busca de cidadania.

As recentes decisões do governo, ao reduzir a carga tributária das SAFs e manter a tributação dos clubes associativos, reacendem um debate que vai além da contabilidade: qual é o verdadeiro papel do futebol profissional na sociedade? No Acre, essa discussão é ainda mais urgente, pois nosso futebol convive com poucos recursos, baixa estrutura e investimento insuficiente — quando não inexistente — nas categorias de base.

Enquanto, no plano nacional, discute-se o modelo jurídico, no Acre o debate precisa ser estratégico e social. Clube de futebol não pode ser apenas um time profissional que aparece por alguns meses no calendário. Precisa ser um instrumento permanente de inclusão social, especialmente por meio da base. A chamada escolinha de futebol, a partir dos 10 anos, tirando as crianças da ociosidade, reduzindo o excesso de telas e criando disciplina, rotina, ética, respeito e senso de pertencimento. Mesmo que poucos se tornem atletas, todos se tornam cidadãos melhores.

Nesse contexto, é justo parabenizar o SANTA CRUZ pelo bonito trabalho social desenvolvido na construção de sua base. Em um ambiente de tantas dificuldades, iniciativas como essa provam que é possível fazer diferente, com seriedade e compromisso com o futuro. O Santa Cruz mostra que investir na base não é custo, é investimento social.

Diante desse cenário, o Estado deve investir na profissionalização dos clubes, criando políticas públicas que fortaleçam a gestão, incentivem a formação de base e garantam que o futebol cumpra seu papel social. Profissionalizar não é apenas melhorar resultados esportivos, mas estruturar instituições capazes de formar cidadãos, gerar oportunidades e contribuir de forma permanente para o desenvolvimento social do Acre.

Marcello Moura
Empresário | Líder do movimento Cidadania Empreendedora
Diretor Administrativo do Rio Branco Footbal Club.

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