Câmara tem 16 requerimentos de CPI na ‘fila’ de Motta; PL lidera pedidos

A declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), de que seguirá rigorosamente o rito regimental para a instalação das CPIs ganha peso quando se observa o tamanho real da fila acumulada desde o início da legislatura, em 2023.

Levantamento da Jovem Pan mostra que ao menos 16 pedidos de CPI estão na fila aguardando análise, já que outros não atingiram o número mínimo de assinaturas exigidas pelo regimento. A lista reúne temas de forte apelo público — como fraudes no INSS, crimes contra crianças e adolescentes, crime organizado, planos de saúde, violência contra mulheres e grandes escândalos financeiros.

Nesse cenário, o pedido RCP 1/2026, que trata de supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB, aparece no meio da fila, atrás de investigações consideradas politicamente sensíveis e com maior pressão social, o que dificulta qualquer tentativa de aceleração sem custo político.

“Nós temos aqui uma fila de CPIs. Essas CPIs são tratadas na ordem cronológica. No ano passado, nós tivemos algo em torno de 15, 16 CPIs protocoladas, acabamos não instalando nenhuma. E agora nós vamos fazer o debate sobre essas CPIs”, disse Motta na última semana.

“A Câmara tem que obedecer essa ordem cronológica, tem que obedecer regimentalmente o funcionamento de cinco CPIs ao mesmo tempo, se for decisão da presidência instalar. E nós vamos, no momento certo, estar tratando dessa pauta de CPI”, acrescentou.

O mapeamento dos autores principais dos requerimentos também revela a pulverização da demanda por CPIs entre os partidos. O PL lidera, com 7 pedidos, seguido pelo PSB (4) e pelo União Brasil (3). Republicanos e PT aparecem com 2 CPIs cada, enquanto Solidariedade e PP protocolaram um pedido cada. A diversidade partidária amplia o desafio da Mesa Diretora, já que destravar um requerimento implica, na prática, escolher quais temas avançam e quais permanecem represados.

Nos bastidores do congresso, a leitura é de que seguir o rito virou um escudo institucional para evitar que a disputa por CPIs se transforme em uma crise permanente na Câmara, especialmente em um ambiente pré-eleitoral e com múltiplas frentes de pressão simultâneas.

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