Estranhamente, a justificativa dada para a saída de Toffoli não foi de impedimento ou suspeição, mas de preservar as instituições.
Mesmo de interesse público, o Supremo Tribunal Federal se reuniu às portas fechadas para tratar o futuro de Dias Toffoli à frente da relatoria do banco Master. A decisão do colegiado foi de afastamento do ministro da relatoria a fim de estancar hemorragia instaurada dentro da Suprema Corte.
Estranhamente, a justificativa dada para a saída de Toffoli não foi de impedimento ou suspeição, mas de preservar as instituições. No mínimo, a explicação é curiosa, pois, se não havia conflito de interesse, então por que o ministro teve que sair?
Como era de se esperar, os ministros agiram de forma corporativa a fim de preservar o ministro, impedindo que a crise manche ainda mais a reputação do STF e afete outros togados.
Entretanto, por mais que os juízes da Suprema Corte sejam as pessoas mais poderosas da República, há fatores incontroláveis e imponderáveis.
O primeiro é que a relatoria caiu justamente nas mãos do “terrivelmente evangélico”, André Mendonça. O ministro indicado por Bolsonaro já divergiu em questões importantes de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Aparentemente, Mendonça não é o tipo de agir corporativamente a fim de proteger os seus pares.
Com esse cenário, a situação pode se complicar para Alexandre de Moraes. De acordo com a jornalista Malu Gaspar, há uma série de trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro, inclusive sobre pagamentos à esposa do ministro.
É precipitado acreditar que a Polícia Federal (PF) vai agir a fim de proteger Moraes. Primeiro, porque a corporação é independente. Segundo, porque a corporação é composta de diversas áreas, e há setores insatisfeitos com as condutas do STF. Para piorar, o site Poder 360 tornou público trechos da reunião de ontem dos ministros do STF, mostrando a insatisfação deles ministros com a PF.
Pesa ainda a favor da PF, o fato da grande mídia e da opinião pública estarem a favor da corporação e contra os ministros nesse caso.
O caso Master poderá ter consequências parecidas com a operação Lava Jato, inclusive na definição do cenário eleitoral. Escândalos dessa magnitude costumam afetar negativamente o governo de turno. Não à toa, Lula era um dos mais interessados na saída de Toffoli da relatoria. O problema é que ele saiu tarde demais, e a situação está fora de controle e com efeitos imprevisíveis.



