O mercado do boi gordo iniciou 2026 com um movimento consistente de valorização e já começa a estabelecer um novo patamar de preços em importantes regiões pecuárias do Brasil. Negócios próximos — e até acima — de R$ 350 por arroba passam a ser registrados com maior frequência, sinalizando um momento de maior firmeza nas negociações e animando produtores que aguardavam uma recuperação mais robusta das cotações.
Depois de uma onda de altas iniciada em meados de janeiro, o avanço dos preços foi suficiente para colocar estados como São Paulo, Paraná e Santa Catarina no chamado “bloco dos R$ 350/@”, enquanto outras praças também acompanharam o movimento. A média nacional chegou a R$ 320/@, segundo levantamento realizado em 17 regiões monitoradas.
Alta sustentada por demanda e oferta enxuta
Entre os fatores que explicam o cenário positivo no preço da arroba do boi gordo está a combinação de consumo doméstico mais aquecido na primeira quinzena, recomposição de estoques para o período de Carnaval e um setor exportador operando em ritmo forte — elementos que ajudaram a manter o viés altista da arroba.
Além disso, a disponibilidade limitada de animais terminados continua sendo um dos principais motores da valorização, dificultando a vida dos frigoríficos na formação das escalas de abate. A expectativa do mercado é de que esse apetite de compra siga oferecendo sustentação às cotações. No primeiro bimestre, as vendas externas permaneceram aquecidas, com embarques relevantes destinados principalmente à China e aos Estados Unidos.
R$ 350 pode virar nova referência — mas com cautela
Negócios nesse nível já ocorrem com regularidade em São Paulo, e há avaliações de que o patamar pode se tornar uma referência de curto prazo, dependendo do desempenho das vendas de carne durante o Carnaval.
Ainda assim, analistas ponderam que os R$ 350/@ configuram um teto difícil de ser superado rapidamente, exigindo atenção redobrada dos agentes do mercado nos próximos movimentos.
Na última sexta-feira (13), foi observada estabilidade nas praças monitoradas após uma sequência de altas, indicando um possível período de acomodação — algo comum após fortes valorizações.
Pecuarista ganha força nas negociações do boi gordo
Outro fator que tem favorecido o produtor está dentro das porteiras. A recuperação das pastagens com o avanço das chuvas permite reter o gado por mais tempo, negociar volumes menores e ampliar o poder de barganha frente aos compradores.
Com escalas curtas nos frigoríficos, o ambiente tende a permanecer desafiador para quem precisa originar boiadas no mercado físico — cenário que, ao menos no curto prazo, reduz a probabilidade de quedas bruscas.
Exportações impressionam e reforçam o ciclo de alta
Os dados mais recentes mostram um desempenho considerado excepcional no comércio exterior. Na primeira semana de fevereiro:
- O volume embarcado subiu 43,6% frente à média diária de 2025;
- O preço médio em dólar avançou 140%;
- O faturamento diário cresceu 63,7%.
A expectativa é de continuidade desse bom ritmo ao longo da segunda quinzena, ainda que o comportamento do dólar permaneça no radar dos exportadores.
Consumo interno e atacado pedem atenção
Apesar do ambiente positivo no campo, o atacado já demonstra sinais de acomodação. A segunda metade de fevereiro tende a apresentar menor apelo ao consumo, e a carne bovina continua perdendo competitividade frente a proteínas concorrentes.
Entre os cortes, os preços permanecem estáveis:
- Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
- Ponta de agulha: R$ 19,50/kg
- Quarto dianteiro: R$ 19,50/kg
Quaresma pode mudar o ritmo do mercado
Passado o Carnaval, o mercado interno pode reduzir o ritmo de compras, influenciado pelo início da Quaresma — período tradicionalmente associado a menor consumo de carne bovina — especialmente na segunda quinzena do mês.
Mesmo assim, o clima ainda é de cauteloso otimismo. Com oferta controlada e exportações firmes, não são esperadas facilidades para os compradores no curto prazo, mantendo o pecuarista em posição estratégica nas negociações.
Cotações médias pelo país
Os números mais recentes reforçam o avanço generalizado das praças:
- São Paulo: R$ 349,00
- Goiás: R$ 329,29
- Minas Gerais: R$ 333,53
- Mato Grosso do Sul: R$ 331,48
- Mato Grosso: R$ 323,45
O que esperar do boi gordo daqui para frente?
O mercado do boi gordo entra em um momento decisivo. Se por um lado os fundamentos — oferta curta e exportações fortes — sustentam os preços, por outro, fatores sazonais como Quaresma e competitividade das proteínas podem limitar novos saltos. Ainda assim, o fato de a arroba gravitar em torno de R$ 350/@ já indica uma mudança relevante de patamar, algo que tende a influenciar toda a cadeia pecuária, do reposição ao confinamento.
Para o produtor, o recado é claro: o ciclo virou — mas a gestão comercial será determinante para transformar preços históricos em margem real.



