Autoridades brasileiras rastreiam mansões e outros bens ligados a Vorcaro nos EUA

Autoridades brasileiras ampliaram a investigação do escândalo financeiro que culminou no colapso do Banco Master para além das fronteiras nacionais, conduzindo uma busca complexa por obras de arte, imóveis de luxo e outros ativos no estado da Flórida, nos EUA, que podem estar ligados ao financiador Daniel Vorcaro – protagonista de uma das maiores crises bancárias recentes no Brasil. Os detalhes foram divulgados pela reportagem da Bloomberg.

O movimento representa um esforço coordenado das equipes de liquidação do banco e autoridades brasileiras para recuperar ativos que, segundo investigadores, podem ter sido adquiridos com recursos supostamente associados a irregularidades e práticas ilícitas que levaram à intervenção e liquidação da instituição financeira.

Uma mansão de aproximadamente 2.230 metros quadrados, ao centro, perto de Orlando, que foi comprada pelo pai de Vorcaro

Investigação internacional

O caso começou em novembro de 2025, quando o Banco Central do Brasil determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master SA, após uma série de irregularidades que incluíam suspeitas de falsificação de créditos consignados e gestão fraudulenta de carteira de ativos. A decisão veio acompanhada da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal, quando ele tentava embarcar para o exterior em um jato particular, e marcou o início de uma série de operações sob a chamada Operação Compliance Zero.

Nos meses seguintes, diversas frentes de investigação foram abertas, tanto no Brasil quanto no exterior. Uma delas agora foca na Flórida, onde Vorcaro teria adquirido propriedades imobiliárias e acumulado bens de alto valor por meio de empresas registradas nos Estados Unidos — estruturas frequentemente usadas para preservar o sigilo societário.

Fontes especializadas em mercados imobiliários e registros públicos de Miami apontam que, nos últimos anos, Vorcaro ou empresas ligadas a ele teriam comprado ao menos duas propriedades luxuosas em áreas de alto padrão, além de unidades residenciais e outras aquisições significativas na região. Alguns desses imóveis chegaram a estar em processo de construção ou reforma quando a investigação internacional ganhou tração, o que chamou a atenção dos investigadores brasileiros.

Essas compras foram feitas por meio de empresas sediadas em Delaware, estado norte-americano conhecido por leis que favorecem o sigilo dos beneficiários finais, o que complexifica a rastreabilidade dos verdadeiros donos dos ativos.

Além de imóveis, há uma linha de investigação voltada à compra de obras de arte e outros bens de valor elevado que podem ter sido adquiridos nos Estados Unidos ou levados para lá em um esforço de preservação de patrimônio em meio ao agravamento das investigações no Brasil.

O cerne do caso

A derrocada do Banco Master começou a ganhar projeção nacional quando surgiram evidências de que a instituição teria criado títulos de crédito inexistentes para justificar operações com outras instituições financeiras, inclusive com bancos estatais — o que desencadeou alertas regulatórios e ações da Polícia Federal.

As suspeitas incluem gestão temerária, organização criminosa e emissão de títulos fraudulentos, acusações que, somadas à liquidação imposta pelo Banco Central, levantaram uma série de questionamentos sobre a transparência das operações do banco e a capacidade de seus principais executivos de responder por possíveis crimes financeiros.

O escândalo provocou repercussões também no Judiciário brasileiro, com decisões que questionam a condução do processo de liquidação e exigem uma apuração ainda mais profunda dos atos regulatórios e possíveis omissões. Há decisões de tribunais que exigem explicações formais sobre a motivação e proporcionalidade das ações que levaram ao fechamento da instituição e à responsabilização de seus administradores.

O desafio de rastrear bens no exterior

A operação de localização e eventual bloqueio de bens no exterior envolve desafios jurídicos e diplomáticos consideráveis. Além das diferentes legislações sobre sigilo societário e propriedade privada, as autoridades brasileiras dependem de cooperação internacional para acessar dados e registros financeiros. Em casos envolvendo obras de arte, imóveis e outros ativos preservados em nome de empresas offshore, a complexidade aumenta, exigindo acordos e procedimentos legais que podem levar meses ou até anos para serem concluídos.

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