Acabou o carnaval 2026, entramos na quaresma e o que fica é a discussão sobre o desfile em homenagem ao Lula da Silva por uma escola de samba na Sapucaí. Antes de ser revelado seu conteúdo, já se questionava a sua própria realização, pois se trata claramente de propaganda eleitoral gratuita e abuso de poder político. Homenagear um presidente em exercício e em evidente campanha à reeleição, ainda mais com recursos públicos, só seria admissível em um teatro de fantoches como muitas vezes parecem os tribunais do tipo “missão dada, missão cumprida”. Até a imprensa avassalada perdeu o estribo e não consegue defender essa alopração consentida pelo próprio Lula da Silva, que chegou a escolher o ator a interpretá-lo. Aguardemos o desfecho jurídico.
Mas não foi apenas isso. O enredo do samba e as alegorias da escola Lulopetista vomitaram o que deveriam ter engolido. Em um surto de obediência ao ideário do homenageado, escarneceram da família e com isso do papel que ela exerce desde sempre na humanidade. São conhecidas as falas em que Lula diz que ele e seu partido combatem, entre outras, a família ver (AQUI e AQUI), mas a população brasileira não esperava, nem merecia, que essa canalhice viesse a público enlatada e cantada para consumo imediato em transmissão nacional ao vivo.
É certo que historicamente a família vem se transformando. Do papel reprodutivo, econômico, social, religioso e educacional da Europa pré-moderna, até a inserção massiva da mulher no mercado de trabalho, o surgimento dos métodos contraceptivos, legalização do divórcio, movimentos feministas e, principalmente, o estado de bem-estar social, passando pelo iluminismo, mudanças extraordinárias aconteceram. A família de hoje não é a mesma do século XX e nem sequer a do início deste século. As mudanças são rapidíssimas, o número e a forma de casamentos mudaram sensivelmente, as pessoas se conhecem pela internet, e novos arranjos familiares se formaram. O quadro abaixo diz bastante desse momento.
Ao mesmo tempo, a taxa de natalidade caiu de 20/100 mil habitantes para 12/100mil habitantes, o que remete para outra grave questão que não cabe abordar aqui, mas interessa como resultado obvio das transformações ocorridas.
E o desfile com isso tudo? Calma, chegaremos lá.
No mesmo período, o número de pessoas com mais de 10 anos de idade que se declarava com alguma religião era de 92,7%, em 2022 o índice era de 90,7%, sendo mais de 85% cristãos (católicos ou evangélicos), demonstrando uma situação de estabilidade. Onde acha o leitor que esses religiosos encontraram a fé? Isso mesmo. Na família, logo, a destruição da família implica a destruição da religião, o que as fazem indissociáveis e justifica por todo o levante que cristãos e evangélicos fazem contra o Lulopetismo que impulsiona esse movimento anticristão.
Veja-se que, embora ao longo dos anos, o papel da família tenha se transformado com tendências fortes de queda do modelo pré-moderno, a religiosidade acompanhou os novos arranjos assim como acompanhou as transformações desde a antiguidade sem, contudo, deixar de ser um papel da família. O que o Lulopetismo fez na avenida não foi um insulto fortuito à direita como carimbo da homenagem bajulatória ao seu líder, foi um ataque frontal à instituição nuclear da sociedade ainda que diversa em sua forma.
Para a esquerda, desde Marx, a família funciona como aparelho simultaneamente ideológico e repressivo — transmitindo valores (a fé entre eles) que favorecem as “classes dominantes” e perpetuando a opressão das mulheres através do matrimônio. No mesmo sentido, a religião é o ópio do povo. Ela “surge das relações sociais de produção e da divisão de classes, funcionando como ideologia que consola os explorados”. Para a esquerda, não há divindade possível, todas as religiões (TODAS!), devem morrer em uma sociedade socialista. É por essa diretriz que trabalham os que operaram essa ignomínia.
A escola de samba endossada por Lula da Silva e seu séquito de lambaios, ao pisotearem uma liderança presa por um grupo que deveria estar preso, como atestam os escândalos recentes, ultrapassou todas as medidas e caiu em um lamaçal moral no qual se sente à vontade, mas para onde jamais conseguirá arrastar a fé e a família. Portanto, Lula lata da Silva, não conte conosco, os cristãos.
Valterlucio Campelo
Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro “Arquipélago do Breve” encontra-se à venda através de suas redes sociais e do e-mail valbcampelo@gmail.com.



