Gleisi Hoffmann tenta conter crise com evangélicos

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann, saiu em defesa do governo na noite de quinta-feira 19, para tentar amenizar a forte rejeição do eleitorado confessional decorrente do desfile da Acadêmicos de Niterói. Em uma tentativa de se aproximar da linguagem religiosa, Gleisi classificou como “pecado” as acusações de que o presidente Lula ataca as famílias e os evangélicos. Contudo, a apuração do jornal O Estado de S. Paulo revela que o Palácio do Planalto não apenas conhecia os detalhes da apresentação, como também avalizou as provocações levadas à avenida.

Segundo a publicação, a ministra realizou duas reuniões com representantes da escola de samba ainda no ano passado. Além disso, a primeira-dama Janja Silva compareceu ao último ensaio no barracão da agremiação, evidenciando a proximidade do governo com a organização do desfile. O próprio presidente de honra da escola, o vereador Anderson Pipico, integra os quadros do PT, o que enfraquece o discurso de que o entorno de Lula desconhecia a ala intitulada “famílias em conserva”.

Estratégia de defesa de Gleisi

Gleisi Hoffmann utilizou as redes sociais para rotular as críticas da oposição como “oportunismo e hipocrisia”. A ministra afirmou que adversários políticos repetem uma “abordagem mentirosa”, similar à utilizada na campanha de 2022, sobre uma suposta perseguição do PT às igrejas. Entretanto, uma semana antes do Carnaval, a própria ministra cantou o samba-enredo na tribuna da Câmara dos Deputados, reforçando o vínculo direto do Planalto com a homenagem.

A preocupação dos governistas reside nos números. Pesquisas de grandes institutos indicam que a rejeição evangélica ao governo petista flutua entre 60% e 70%, enquanto entre os católicos o índice gira em torno de 40%. O desfile, que deveria ser uma celebração da trajetória do presidente, forneceu munição para a oposição resgatar permanentemente imagens que reforçam o distanciamento de Lula dos valores conservadores.

Expectativa pelas próximas pesquisas

Tanto a base governista quanto a oposição aguardam os resultados dos levantamentos previstos para os próximos dias. Os estrategistas pretendem olhar com lupa o recorte da intenção de voto por religião para mensurar o estrago real causado pela Acadêmicos de Niterói. O temor entre auxiliares de Lula é que o episódio tenha mobilizado setores religiosos que estavam distantes do debate eleitoral imediato.

O jornal O Estado de S. Paulo destaca que, embora o pleito de outubro ainda pareça distante, o desgaste gerado pela ala que ironizou a família dificilmente será superado no curto prazo. A tentativa de Gleisi Hoffmann de usar termos como “pecado” soou desafinada para lideranças evangélicas, que agora enxergam no desfile um símbolo de desrespeito à fé cristã financiado, em parte, com recursos públicos.

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