Conflito no Oriente Médio pode pressionar inflação global no curto prazo, diz mercado
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã na madrugada deste sábado, 28, geraram preocupações sobre uma possível alta no preço do petróleo, o que pode pressionar a inflação em vários países no curto prazo. O clima de tensão já vinha influenciando o mercado, com os preços do petróleo subindo mais de 2% na sexta-feira, 27, antes mesmo das hostilidades começarem.
Em 2017, período de intensificação das sanções contra o Irã, o país produzia cerca de 4,1 milhões de barris de petróleo por dia. Atualmente, a produção está em torno de 3,2 milhões de barris diários, refletindo a pressão contínua sobre sua capacidade de extração e exportação mesmo em meio às limitações das sanções.
Um dos principais temores dos analistas é que o Irã decida restrigir o tráfego no Estreito de Hormuz, uma das rotas de escoamento mais importantes do petróleo mundial. Aproximadamente um quinto de todo o petróleo comercializado globalmente passa por esse ponto estratégico, e qualquer bloqueio poderia impulsionar ainda mais os preços do petróleo.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, explicou que qualquer ameaça significativa ao fluxo de petróleo “tem potencial de encarecer o barril rapidamente, o que se traduz em aumento nos preços dos combustíveis, elevação do custo do frete internacional e pressão indireta sobre cadeias produtivas inteiras”. Esse aumento, mesmo que temporário, pode se refletir na inflação no curto prazo.
Apesar dos riscos imediatos, especialistas também consideram cenários de médio prazo em que os preços possam recuar. Caso o ambiente político se normalize e o Irã amplie sua produção, que atualmente ainda está operacional, há potencial para que a oferta global de petróleo aumente novamente, o que poderia reduzir os preços no segundo semestre do ano.



