Valterlucio Campelo: Qual a SUA inflação?

Do ponto de vista do consumidor, um dos aspectos mais importantes na economia é o índice de inflação. É ali que seu salário derrete mensalmente e, desprotegido, perde o poder de compra. Tanto que seu controle (da inflação) constitui a principal tarefa do Banco Central. Mas não vamos esmiuçar a macroeconomia, o propósito aqui é outro.

Trago ao conhecimento do leitor uma discussão levantada pelo criador da página Minha Inflação. Segundo ele, há uma inflação geral e há a SUA inflação, ou seja, aquela que realmente drena o seu bolso pela variação de preços dos produtos que VOCÊ compra. Quer dizer, a SUA inflação é pessoal assim como a sua renda. Se você gasta toda a sua renda com alimentos, é o preço dos alimentos que lhe interessa maximamente. Se você gastasse toda a sua renda com o aluguel, nada mais afetaria a SUA inflação do que o aumento dos preços dos aluguéis.

O titular da página referida elegeu 9 (nove) grupos de despesas. Alimentação e Bebidas; Habitação; Artigos de Residência; Vestuário. Transportes; Saúde e Cuidados Pessoais; Despesas Pessoais; Educação e Comunicação, de modo que o usuário pode realizar seu próprio acompanhamento da SUA inflação global, ou, isoladamente, de determinado grupo de despesas que seja de seu interesse. O processo é simples, basta criar uma planilha, ingressar com os dados de quantidade e preço dos produtos adquiridos, marcar o período e pronto.

Com esse acompanhamento, você terá condição de avaliação de como seu bolso está sendo drenado pela inflação, que muito provavelmente será bem diferente da SUA. É que a cesta de produtos e serviços que o IBGE cobre é a representação aproximada do consumo médio de toda a população brasileira, o que não coincide com o seu conjunto de despesas. Como demonstração, o site publicou recentemente uma planilha com 33 itens apenas do grupo alimentos. Abaixo, os resultados referentes aos meses de janeiro e fevereiro.

Na planilha apresentada pelo site, provavelmente fictícia, mas bastante crível e comum, fica demonstrado que a inflação de alimentos do mês daquele consumidor foi de nada menos que extraordinários 22,11%. Itens com maior peso (carnes – alcatra, coxão mole, peito de frango, sobrecoxas e pernil) tiveram taxas de crescimento muito elevadas e respondem por 47% desse aumento, sugerindo que devam ser substituídos ou diminuídos no mês seguinte para que o orçamento fique mais equilibrado. Se, por exemplo, esses itens fossem expurgados do cálculo, o aumento de preços ainda seria superior a 10%.

No caso em referência, o sujeito gastou (com os mesmos alimentos e quantidades adquiridos no mesmo supermercado), em janeiro R$ 1.842,10 e, em fevereiro, R$ 2.249,32. Considerando que as despesas com alimentos são pouco móveis (o indivíduo tem que comer), fica evidente que a SUA inflação é bem mais alta do que aquela divulgada pelo governo. É claro que pode haver mudanças importantes (alguns produtos são sazonais, há promoções etc.), e no mês seguinte se verificar estabilidade ou mesmo deflação (inflação negativa), de todo modo, se o leitor conseguir planilhar os SEUS gastos conforme indicados nos nove grupos, terá uma estimativa bem interessante da SUA inflação. Boa sorte!

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Valterlucio Campelo

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro “Arquipélago do Breve” encontra-se à venda através de suas redes sociais e do e-mail valbcampelo@gmail.com.

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