Há um tipo de sujeito que, incapaz de formular uma ideia, declara guerra às ideias. Chama reflexão de inutilidade, trata pensamento como peso morto e ainda se arvora conselheiro de campanha.
Não é por acaso. Para esse tipo, política não é projeto, é operação. Não é construção, é transação. E quando falta argumento, entra em cena o velho fetiche do “papel que resolve tudo”. Como se voto fosse mercadoria e eleitor, balcão.
Isso não é franqueza. É degradação. E, o mais curioso, é o alvo: os tais “intelectuais”. Aqueles que escrevem, organizam, pensam, estruturam. São incômodos porque expõem o vazio. Porque onde há ideia, o improviso rasteiro não se sustenta.
E então vem o truque mais antigo: dividir, envenenar a assessoria, criar ruído interno, tudo para que o candidato dependa menos de pensamento e mais de quem “sabe como as coisas funcionam”.
Sabe, sim. Funciona assim: empobrece o debate, rebaixa a política, e depois chama isso de pragmatismo.
Não é pragmatismo. É indigência intelectual com pretensão de método.
E aqui cabe a distinção que muitos ignoram: o bobo pode até rir sem entender o mundo, mas não o corrompe. Já o tolo, esse que fala alto, aconselha e distorce, não percebe o mal que pratica, e justamente por isso é o mais perigoso de todos.
Candidatos, cuidado. Nem todo conselho é estratégia. Alguns são apenas atalhos para o fundo do poço, com aparência de experiência e cheiro de dinheiro.



