Em artigo, Valterlucio destaca: “as pesquisas valem muitíssimo e orientam todo o processo eleitoral”

Daqui para frente nos acostumaremos a ver pesquisas eleitorais sendo publicadas sistematicamente, como forma de oferecer ao publico uma espécie de monitoramento da campanha eleitoral que estará em curso. Hoje mesmo saiu uma para presidente em que o Flavio Bolsonaro já ultrapassa Lula, na segunda-feira tivemos um estadual que dá Alan Rick como favorito (20% acima do segundo colocado – Mailza Assis) e dois candidatos ao senado bem (Gladson Cameli e Marcio Bittar) bem à frente dos concorrentes.

Não tratarei aqui dos números, não farei análise de cenário político. Quero tratar mesmo é das pesquisas eleitorais e de seu papel no processo que estamos iniciando.

É bastante comum, vimos isso por estes dias, que candidatos e analistas diminuam a importância ou a validade das pesquisas faltando seis meses para o pleito. Isso atesta a ignorância de uns e a natural esquiva de outros em relação ao que seja uma pesquisa eleitoral.

Quando o leitor ouvir do candidato que “pesquisa que vale é a do dia”, provavelmente estará diante de alguém que apareceu mal nos resultados. Ele está na fase de autoengano, é como um corredor com o pé machucado apostando que durante a corrida ficará bom e chegará em primeiro ou, em segundo, no caso do senado.

Quando ouvir do político “a pesquisa não vale nada porque estamos há seis meses da eleição”, estará diante de uma bobagem. É que a pesquisa não promete resultado eleitoral, ela apenas diz o presente. Então, se o sujeito toma os números da pesquisa como promessa de resultado eleitoral, é um tolo. Ninguém disse que a pesquisa de março determina o resultado das eleições, em nenhum manual está escrito que a fotografia de março vale para outubro. Vale para o dia da coleta de dados, quer dizer que naquele momento é assim que a realidade se apresenta, aí está a validade das pesquisas. Se a realidade fosse imutável, nem precisaria de eleição, né?

Quando ouvir “já vi muitos candidatos começarem do zero e ganharem as eleições”. Pergunte se viu muitos mesmo ou foram exceções. Se começar na rabeira fosse bom o favorito não comemorava. Isso é outro equívoco trazido de fenômenos ocasionais como se fossem comuns. A regra é que quem começa à frente chega ao final vivíssimo na disputa.

“Muita água vai rolar sob a ponte”. Obvio. Por causa mesmo das pesquisas, os agentes do processo mudam estratégias, fazem acordos, mudam de postura, injetam mais recursos, e assim por diante. Logo, “as águas” se movimentam.

“Ninguém entra na campanha eleito”. Sim, mas um monte entra derrotado e, muitos deles sabem disso, não é Thor Dantas? Ocorre que para uma parte dos candidatos, a disputa é um teste de viabilidade para a próxima ou cumpre um propósito de grupo que sem candidaturas majoritárias ficariam ao “Deus dará”.

As pesquisas valem muitíssimo também porque informam a rejeição do candidato. Temos presentemente o caso do prefeito Tião Bocalom, pré-candidato que aparece com 15% de preferência e mais de 34% de rejeição, além de 60% de desaprovação na cidade que administra. Obviamente, esse resultado fará com que ele avalie melhor sua candidatura ou reveja seu plano de campanha.

As pesquisas valem muitíssimo e, por isso mesmo, é que se gasta tanto dinheiro com elas. Candidatos, partidos, imprensa, empresas… todos fazem pesquisa, seja para consumo interno ou para divulgação. Isso ocorre porque todos querem identificar a tendência do eleitorado e, com base nela, antecipar decisões, sejam políticas, editoriais ou financeiras. Ninguém quer ser surpreendido no dia da eleição.

As pesquisas valem muitíssimo para o público em geral porque, informado sobre “como está meu candidato” se mobiliza como eleitor ou como militante, torna-se mais receptivo ou mais conflitivo em relação aos candidatos. A pesquisa é um poderoso fator de convencimento, dado que parte majoritária do eleitorado indeciso costuma migrar para o vitorioso.

É claro que aqui me refiro a pesquisas honestas, bem formuladas, cujos resultados digam o pensamento médio do eleitorado. Nunca se pode descartar a manipulação e resultados sob encomenda para convencimento da população. Excluindo essa hipótese, é bom que mais pesquisas sejam realizadas, que a movimentação dos candidatos seja sistematicamente metrificada para ajudar a compreensão do eleitorado.

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Valterlucio Campelo

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites.

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