Pandemia, reorganização da máquina pública, fortalecimento da comunicação como pilar da democracia, decisões que salvaram vidas, concursos históricos e investimentos em obras estruturantes que transformaram o Acre. Gladson Camelí faz um balanço de sua gestão, dividida em dois mandatos. No GovCast desta terça-feira, 31, ele relembrou desafios, destacou seu legado e afirmou ter honrado o lema que guiou sua administração: colocar as pessoas em primeiro lugar.

Ao lado do jornalista Jefson Dourado, Camelí iniciou sua fala destacando que fez questão de fortalecer a comunicação pública, por considerá-la essencial para garantir transparência à gestão e consolidar a democracia. Em seguida, relembrou o período da pandemia, um momento sensível que exigiu decisões rápidas e levou ao adiamento de planos para preservar a vida das pessoas.
“Quando assumi o governo, ninguém imaginava – nem eu – que enfrentaríamos a maior pandemia da história recente. Não houve aviso nem preparação possível. Ainda assim reestruturamos toda a rede de saúde, modernizamos o sistema e garantimos que o atendimento chegasse a quem mais precisava. Realizamos reformas importantes, inclusive no Hospital de Campanha, que hoje funciona como uma unidade definitiva”, relembrou.

‘Era a luta pela vida’
Ele relembrou ainda um dos momentos mais sensíveis daquele momento, quando as fronteiras foram fechadas e as decisões precisam ser tomadas rapidamente.
“Naquele período, São Paulo devolvia brasileiros que tentavam retornar ao país, e a ponte em Assis Brasil estava bloqueada. Uma noite, por volta de 23h30, recebi uma ligação do secretário de Segurança informando que um ônibus com famílias e crianças estava retido na fronteira. O comitê de saúde alertou que não tínhamos condições de receber mais pacientes graves, porque cada leito de UTI ocupado por alguém de fora significava menos um para nossa população. Mesmo assim, diante da situação humanitária, tomei a decisão de permitir a entrada”, recordou.
Para o governador, não havia como deixar a população sem apoio naquele momento. Em um período em que muitos fechavam as portas, sua decisão foi acolher.
“Lembro até hoje da imagem de uma criança nos braços de um policial, exausta, quase sem forças. Aquilo marcou profundamente a todos nós. Era uma luta pela vida, e fizemos o que era certo.”

Retomada da confiança econômica
Outro gargalo foi organizar as contas do Estado para poder resgatar processos essenciais para o desenvolvimento do estado.
“Também reorganizamos a máquina pública. Recuperamos a credibilidade do Estado junto aos fornecedores, quitamos pagamentos atrasados e restabelecemos a confiança financeira. Isso é fundamental, porque quando o governo atrasa, gera insegurança para todos”, destacou.
Os desafios em sua jornada foram muitos, da pandemia a eventos climáticos extremos. O governador relembrou que a agilidade na tomada de decisões foi essencial para garantir o suporte necessário e amenizar os impactos sobre a população.
“Os desafios que enfrentamos não foram poucos. Além das enchentes e da crise migratória, tivemos a pandemia, que exigiu decisões rápidas e difíceis. Muitas vezes, era questão de minutos: se eu não tomasse uma decisão em dez minutos, os prejuízos seriam muito maiores. Como governador, eu sabia que qualquer consequência recairia sobre mim. Meu compromisso sempre foi proteger vidas”, relembrou.
O desafio de transformar recursos em entregas
Um dos obstáculos enfrentados pelo governador foi a burocracia e a dificuldade na execução de recursos já garantidos. Ele revelou que, muitas vezes, precisou lidar com a frustração de ter o dinheiro disponível, mas enfrentar impedimentos que atrasavam ou até impossibilitavam sua aplicação.
“Quem já trabalhou em Brasília sabe como é difícil executar recursos. Muitas empresas entram nas licitações com preços muito baixos e depois não conseguem cumprir o contrato. Isso atrasa obras, gera frustração e cria a impressão de que o governo não quer entregar – quando, na verdade, estamos lidando com problemas estruturais”, destacou.
Como exemplo, ele citou o hospital de Feijó, que teve parte da fundação comprometida. “Não é culpa da secretaria, mas consequência de erros técnicos antigos. Há obras que eu gostaria de ter inaugurado agora, mas pequenos detalhes atrasam tudo. Ainda assim, a maioria será entregue.”

Compromisso com o servidor público
O reforço na estrutura física e nos recursos humanos também foi um dos pilares da gestão de Gladson Camelí, que promoveu a recuperação, o investimento e o fortalecimento diversos setores do Estado, incluindo as forças de segurança.
“Quando assumi, a Polícia Militar não tinha viaturas, fardamento adequado, combustível para atender ocorrências. Como cobrar eficiência de quem não tem condições mínimas de trabalho? Por isso, reforçamos a segurança, convocamos aprovados em concursos, chamamos candidatos do cadastros de reserva e realizamos o maior concurso da história da educação, com mais de 3 mil vagas – e já convocamos cerca de 80% dos aprovados”, reforçou.
Apesar de reconhecer os avanços, o governador destacou que tem consciência de que é preciso melhorar sempre – algo que, segundo ele, também deverá ocorrer quando a vice-governadora Mailza Assis assumir o comando do Estado e der continuidade ao projeto que ambos abraçaram nos últimos anos.
“Quando falamos de educação, fizemos um esforço enorme para garantir qualidade. Entregamos merenda escolar de qualidade, com um cardápio digno, e equipamentos que antes eram impensáveis. As escolas receberam materiais, tablets e melhorias estruturais. Isso faz diferença na vida das crianças”, pontuou.
Ele listou algumas das ações mais importantes, como o programa Prato Extra e a distribuição gratuita de fardamentos, kits escolares e tablets, com o objetivo de reforçar a educação nas escolas.

Desenvolvimento sustentável
Houve também avanços na agricultura, que tornaram o Acre uma referência em desenvolvimento sustentável. Um discurso que, além de ser colocado em prática, passou a servir de modelo para outras regiões do país.
“Trabalhamos para construir um modelo sustentável, respeitando o Código Florestal, fortalecendo a agricultura familiar e valorizando quem vive na floresta. Essas pessoas são guardiãs do nosso patrimônio ambiental. Reduzimos o desmatamento e mostramos que é possível produzir preservando. A pressão sempre existiu, mas meu compromisso foi manter o pulso firme. Muitas vezes, precisei tomar decisões difíceis, mas sempre guiado pelo que era melhor para a população. Governar exige coragem. Sempre recebi a confiança do povo”, destacou.
O governador recordou que conseguiu cumprir a missão de deixar um legado sólido na história do Acre. Ele afirmou que entregará a administração com as contas organizadas, servidores valorizados e uma série de obras que atendem às demandas da população e redesenham a mobilidade, não apenas da capital, mas também do interior. Foram concluídas estradas importantes, aeródromos modernizados, além de pontes e ligações terrestres que simbolizam o momento de ascensão vivido pelo Estado. Emocionado, ele finalizou afirmando que sente ter cumprido seu dever e agradece à população acreana pela confiança.
“Agora, vivo um momento de transição. Já ocupei o cargo mais alto do Estado, e isso traz uma responsabilidade enorme. As pesquisas mostram aprovação entre 69% e 72%, e sou muito grato por isso. Agradeço a Deus, à minha equipe e ao povo acreano. Saio com a consciência tranquila de que fiz tudo o que estava ao meu alcance. O que não fiz foi porque as condições não permitiram. A partir do dia 2, começo uma nova fase da minha vida, como cidadão. Estarei sempre à disposição para ajudar o Acre”, enfatizou.

‘Meu compromisso é com o Acre’
Camelí reforçou ainda que confia na vice-governadora Mailza Assis para dar continuidade ao governo pensado com e para as pessoas do Estado. “É uma parceira leal, esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis e sempre agiu com responsabilidade. Se me perguntam do que mais me orgulho, digo que é do carinho do povo. Onde eu vou — em Brasília, em Rio Branco, ou em qualquer lugar — as pessoas me param para tirar foto, agradecer e conversar. Isso não tem preço. Mas também sei que nada é eterno. A partir do dia 3, serei um ex-governador, e isso faz parte da vida pública.”
Na próxima terça-feira, 2 de abril, em cerimônia oficial, o governador passará a faixa para Mailza Assis. Camelí agradeceu e enfatizou que segue firme em seu compromisso com o Acre.
“Quero agradecer a Deus, ao meu filho Guilherme e ao povo acreano por tudo. Peço desculpas por qualquer gesto ou decisão que possa ter magoado alguém; nunca foi minha intenção. Fui eleito deputado federal, senador e governador por duas vezes. Sempre recebi a confiança do povo, e isso jamais vou esquecer. Não vou decepcioná-los. Estarei pronto para responder a qualquer questionamento, mas não entrarei em brigas políticas. Meu compromisso é com o Acre.”


