À medida que as eleições presidenciais se aproximam, partidos e possíveis candidatos definem seu futuro. Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, é o mais novo membro da corrida presidencial. Ele foi introduzido oficialmente como pré-candidato no dia 30 de março. Outro nome que foi anunciado neste sábado (4) foi o de Cabo Daciolo (MB).
Com as decisões, eles se juntam ao atual presidente Lula (PT), que anunciou sua pré-candidatura à reeleição em 2025, e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi indicado pelo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e deve ser o maior concorrente do petista durante o pleito.
Lula e Bolsonaro são os dois nomes apontados como líderes nas últimas pesquisas eleitorais. A votação acontece em outubro. O primeiro turno será realizado no dia 4, enquanto o segundo está programado para o dia 25. Veja abaixo os pré-candidatos à Presidência em 2026:
Lula (PT)

Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, está atualmente em seu terceiro mandato como presidente do Brasil. Sua trajetória política começou como líder sindical nos anos 80. Disputou em 1989 o cargo de Chefe do Executivo pela primeira vez, perdendo no segundo turno para Fernando Collor de Mello.
Voltou a concorrer nas eleições de 1994 e 1998, e perdeu para Fernando Henrique Cardoso. Sua primeira vitória veio em 2002, quando venceu as eleições na disputa contra José Serra. Em 2006, foi reeleito contra Geraldo Alckmin, seu atual vice, que permanecerá na condição para a disputa de 2026.
Eleito para um terceiro mandato em 2022, Lula só confirmou que disputaria uma quarta vez em 2025. Nesse momento, o que mais pesa contra a reeleição do petista é a rejeição. Ele enfrenta o descontentamento de 47% da população, segundo estudo da Paraná Pesquisas, publicado no dia 30 de março.
Em outro estudo publicado pelo instituto Gerp, no dia 27, o número era maior, estava em 51%. Estudo feito pela AtlasIntel, aponta rejeição de 50,6%. Flávio, seu maior concorrente, aparece nesta pesquisa com apenas 24% de rejeição. O maior motivo do descontentamento foi apontado como suposto envolvimento ou conivência com a corrupção. Outra reclamação é a suposta intenção de querer a população dependendo do Estado.
Flávio Bolsonaro (PL)

Carlos Moura/Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro, de 44 anos, é o nome mais forte para a disputa com Lula. Ele foi apontado pelo próprio pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível e preso por tentativa de golpe de Estado.
Formado em Direito pela Universidade Candido Mendes (UCAM), a escolha pelo senador não era considerada unânime pela direita, que acreditava que Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, poderia ser o indicado como sucessor do capitão da reserva.
Flávio foi deputado estadual no Rio de Janeiro entre 2003 e 2019, sendo eleito ao cargo por quatro vezes seguidas. Em 2016, chegou a disputar a eleição para a prefeitura do Rio, pelo Partido Social Cristão (PSC), mas ficou em quarto lugar.
Surfando na onda bolsonarista, Flávio chegou ao Senado em 2019, após eleição que também elegeu seu pai presidente. Flávio tem adotado uma retórica para se aproximar do público jovem, ainda que mantenha os ideais conservadores de Jair.
Ronaldo Caiado (PSD)

FRAGA ALVES/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
Ronaldo Caiado, de 76 anos, é médico ortopedista formado pela Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e produtor rural.
De família tradicional da política em Goiás, ganhou projeção nacional na década de 1980, sendo um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), associação criada para defender os interesses dos grandes proprietários de terras e fazer contraponto aos movimentos sociais que exigiam a reforma agrária.
Participou da eleição presidencial de 1989, o que o ajudou a se consolidar como um dos maiores nomes da direita brasileira e da chamada bancada ruralista. Foi eleito deputado federal por cinco vezes pelo estado de Goiás, até 2015. Ingressou no Senado, onde ficou até 2018, quando disputou as eleições para o governo de Goiás, sendo eleito no primeiro turno, assim como na reeleição de 2022.
Apesar de o PSD, partido pelo qual é pré-candidato, tentar emplacar uma candidatura de “terceira via”, alternativa entre Lula e Bolsonaro, Caiado é considerado o mais conservador e mais à direita entre os três governadores que disputaram o posto dentro do partido, que foi pego de surpresa na Câmara com decisão. Já em sua apresentação como candidato, prometeu anistia a Bolsonaro, jogando a ideia de alternativa pela janela.
Renan Santos (Missão)

Reprodução/Instagram
Renan Santos, de 41 anos, é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que nasceu na internet durante o ano de 2014 e se mostrava insatisfeito com o governo de Dilma Rousseff (PT). Foi um dos grandes articuladores dos protestos contra a administração em 2015 e 2016.
Apesar de apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018, logo nos primeiros meses de 2019 Renan liderou um distanciamento e rompimento com o governo, apresentando-se contra o bolsonarismo e lulismo.
Desde novembro do ano passado, integra o partido Missão, fundado por membros do MBL. Apresenta falas e projetos ultraliberais. Recentemente, prometeu separar o Rio de Janeiro do Brasil e transformar o território em uma “cidade-estado” para facilitar o combate ao crime na cidade.
Aldo Rebelo (Democracia Cristã)

Pedro França/Agência Senado
Nome histórico da esquerda brasileira, Aldo Rebelo, de 70 anos, começou sua vida política com movimentos estudantis. Foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante a década de 80. Entrou no PCdoB em 1985 e construiu uma relação de quase 40 anos.
Foi deputado federal por São Paulo em seis mandatos consecutivos, de 1991 a 2015. Foi ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais durante o primeiro mandato de Lula. Ocupou três ministérios diferentes durante o governo Dilma:
- Ministro do Esporte (2011–2015);
- Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (2015);
- Ministro da Defesa (2015–2016)
Se distanciou nos últimos anos das pautas da esquerda e chegou a fazer parte da gestão de Ricardo Nunes na cidade de São Paulo em 2024, como secretário de Relações Internacionais, enquanto seu partido (PDT) apoiava a candidatura de Guilherme Boulos.
Romeu Zema (NOVO)

VINICIUS NUNES/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO
Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), Romeu Zema, de 61 anos, construiu carreira no setor privado antes de ingressar na política. É herdeiro do Grupo Zema, famoso pelas Lojas Zema, rede varejista. Assumiu a gestão do grupo em 1991, onde ficou no controle executivo até 2016.
Em 2018, filiado ao partido Novo, disputou sua primeira eleição ao governo de Minas Gerais. Ganhou o pleito após subir nas pesquisas ao declarar apoio a Jair Bolsonaro no primeiro turno. Foi reeleito em 2022. Mais um candidato da direita, Zema sempre foi crítico do governo de Lula, inclusive comentando sobre o presidente durante o anúncio de renúncia ao cargo de governador para concorrer à presidência.
O PSD, partido de Caiado, tem intenção de convencer Zema a ser vice na sua chapa. A informação foi apurada pela Jovem Pan.
Hertz Dias (PSTU)

Sérgio Koei
Hertz Dias, de 55 anos, é professor de história na rede pública estadual de ensino no Maranhão. Formado pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), também é rapper e um dos fundadores do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, que em 1992 passou a se chamar Quilombo Urbano, e é vocalista do grupo Gíria Vermelha.
Filiado ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Hertz ganhou notoriedade nacional ao disputar a eleição presidencial como vice na chapa de Vera Lúcia. Concorreu ao cargo de prefeito de São Luís em 2020 e ao governo do estado em 2022, sem sucesso.
De extrema-esquerda, ele defende:
- Ruptura com o capitalismo;
- Fim da escala 6×1;
- Expropriação de grandes empresas;
- Reforma agrária;
- Um governo voltado para a classe trabalhadora.
Samara Martins (UP)

Reprodução/Instagram
Dentista que atua no Sistema Único de Saúde (SUS) e ativista histórica de movimentos sociais no Brasil, Samara Martins, de 38 anos, é defensora dos direitos das mulheres, da população negra e luta por moradia. Vice-presidente do Unidade Popular, ela é militante ativa do Movimento de Mulheres Olga.
Concorreu pela primeira vez a um cargo público em 2020, tentando ser vereadora na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. Também disputou as eleições presidenciais em 2022, ao lado de Leonardo Péricles, um dos fundadores da sigla e atual presidente do partido.
Rui Costa Pimenta (PCO)

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Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Rui Costa Pimenta, de 68 anos, iniciou sua militância política na juventude, integrando o movimento estudantil e sindical durante a ditadura militar.
Filou-se ao Partido dos Trabalhadores em 1980, liderando a chamada Causa Operária, defendendo ideias mais radicais dentro da sigla. Ficou no PT até 1989, quando foi expulso por divergências com a cúpula do partido e Lula. Em 1995, fundou o Partido da Causa Operária, com a ajuda de outros correligionários.
Rui Costa concorreu à presidência em 2002, 2006, 2010 e 2014, sem votações expressivas. Defende abertamente:
- Revolução socialista;
- Expropriação da burguesia;
- Armamento da classe trabalhadora;
- Fim da Polícia Militar.
Edmilson Silva (PCB)

Reprodução/PCB
Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma instituição, Edmilson Silva, de 75 anos, é professor universitário e diretor de pesquisa e formação do Instituto Caio Prado (ICPJ).
Concorreu à prefeitura de São Paulo em 2008 e chegou a concorrer à vice-presidência em 2010, na chapa com Ivan Pinheiro. O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) oficializou sua candidatura em fevereiro, apresentando uma plataforma focada no “Poder Popular”, na ruptura com o sistema financeiro e em oposição à política de conciliação de classes.
Cabo Daciolo (Mobiliza)

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Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, mais conhecido como Cabo Daciolo, tem 50 anos e é militar do Corpo de Bombeiros. Construiu carreira no Rio de Janeiro e ganhou notoriedade ao liderar uma greve da classe em 2011. Daciolo chegou a ser expulso da corporação, mas foi posteriormente anistiado.
Foi deputado federal pelo Rio de Janeiro de 2015 a 2019, eleito filiado ao PSOL. Porém, a passagem pela legenda durou pouco tempo por defender pautas religiosas e conservadoras incompatíveis com o estatuto da sigla.
Migrou entre diversos partidos, e disputou em 2018, pelo Patriota a Presidência da República. Sua campanha foi marcada por um forte tom místico, discursos de teor conspiratório (como o famoso alerta sobre a “URSAL” – União das Repúblicas Socialistas da América Latina) e bordões que viralizaram, especialmente o “Glória a Deus!”
Para esta eleição, filiou-se ao partido Mobiliza, antigo Mobilização Nacional (PMN), e anunciou oficialmente sua pré-candidatura, ao lado do presidente da sigla, Antônio Carlos Massarollo, por meio das redes sociais. Mantendo o forte discurso religioso, o post vem acompanhado da citação bíblica: “Quando os justos governam, o povo se alegra”.


