Boi gordo dispara e sobe R$ 10/@ em abril e mercado acende alerta para próximos meses

mercado do boi gordo encerrou a primeira metade de abril com desempenho positivo no físico, mesmo diante de fatores que trouxeram cautela aos agentes do setor. Em São Paulo, a arroba registrou valorização de R$ 10,30 (@), equivalente a alta de 2,9% em apenas 10 dias úteis, refletindo um ambiente ainda sustentado pela oferta restrita e pela demanda aquecida, especialmente no mercado externo .

Durante esse período, o mercado chegou a registrar sete renovações de recorde nominal para a arroba paulista, evidenciando a força do movimento de alta. No fechamento da semana, o boi gordo comum foi negociado ao redor de R$ 365/@, enquanto o chamado “boi-China” alcançou cerca de R$ 370/@, mantendo prêmio para animais com padrão exportação.

Apesar da firmeza nos preços físicos, o cenário não é homogêneo. O mercado futuro passou a refletir maior cautela, influenciado por uma combinação de fatores externos e internos. Entre eles, destacam-se as preocupações com a cota de exportação para a China, que pode ser atingida ainda no primeiro semestre, além de revisões nas projeções globais de produção de carne e notícias sanitárias no mercado internacional .

Outro ponto de atenção é o comportamento da indústria. Em algumas regiões, frigoríficos já começam a alongar escalas de abate, movimento que pressiona as cotações do boi gordo no curto prazo. Ao mesmo tempo, a expectativa de perda de qualidade das pastagens na segunda quinzena de abril pode levar pecuaristas a anteciparem a oferta de animais, aumentando a disponibilidade no mercado.

Preços da arroba do boi gordo nas principais praças (17/04)

  • São Paulo: R$ 370,00/@
  • Goiás: R$ 355,36/@
  • Minas Gerais: R$ 355,59/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 358,98/@
  • Mato Grosso: R$ 363,45/@

Os dados mostram um mercado ainda sustentado nas principais regiões produtoras, com São Paulo liderando as cotações, enquanto estados do Centro-Oeste seguem com valores competitivos e próximos entre si, refletindo equilíbrio entre oferta e demanda no país.

No atacado, os preços seguem relativamente estáveis, sustentados pela reposição ao longo da primeira quinzena do mês. Ainda assim, a carne bovina enfrenta maior concorrência com proteínas mais baratas, como o frango, o que limita avanços mais expressivos nas cotações .

No cenário externo, a China segue como principal variável de influência. A política de salvaguarda adotada pelo país asiático pode gerar um excedente interno de até 600 mil toneladas de carne bovina no Brasil em 2026, caso as exportações sejam limitadas pelas cotas . Além disso, há preocupação com o chamado “pós-cota”, quando a carga tributária pode ultrapassar 60%, reduzindo a competitividade das exportações brasileiras.

Mesmo diante dessas incertezas, o ambiente global ainda favorece a carne bovina brasileira. A demanda internacional segue aquecida, enquanto concorrentes importantes enfrentam ciclos pecuários mais restritivos, o que mantém o Brasil em posição estratégica no comércio mundial .

No balanço geral, o mercado do boi gordo vive um momento de equilíbrio entre sustentação e cautela. A oferta ainda controlada e o bom desempenho das exportações mantêm os preços firmes no físico, mas sinais de aumento na disponibilidade de animais, pressão no mercado futuro e incertezas com a China indicam um cenário mais desafiador para os próximos meses.

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