Valterlucio Campelo: Um “Robespierre” ataca o senador Marcio Bittar

Cada época tem seus anos de terror e é isso que estamos vendo no Brasil. Sob o chicote supremo, aliado a um governo fraco, corrupto e incompetente, o sistema jurídico trata lideranças contrárias ao regime com perseguição, ameaça e intimidação. No limite, prisão ilegal.

O Brasil da junta que governa a partir de 2023 nos faz lembrar a “Lei de 22 de Prairial” (1794), uma das âncoras jurídicas da revolução francesa que praticamente aboliu a defesa, testemunhas e provas formais. O tribunal podia condenar com base em “convicção moral”. Resultado: A guilhotina virou rotina. Pessoas eram executadas em massa por boatos, denúncias anônimas, antigas rivalidades pessoais e assim por diante.

Na mesma semana em que Gilmar Mendes investe contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no Acre, seu amigo, Jorge Viana, vai com tudo contra seu principal opositor na disputa do Senado, o senador Marcio Bittar. Em marcha batida para mais uma derrota no Acre e com seu partido lambendo as sobras do fundo do tacho eleitoral, o petista responsável pelas feiras internacionais quer retirar seu oponente do jogo. Nessas horas, vale o tapetão.

Segundo matéria do prestigiado AC24HORAS, o candidato do PT, amigo do Lula e de metade do STF, que jamais deu um pitaco sobre qualquer dos escabrosos casos de corrupção petista (mensalão, petrolão, INSS, Banco Master…), andou escarafunchando a ação parlamentar do Marcio Bittar para ver se encontra algo que sirva de razão de pedir em juízo e, quem sabe, retirá-lo da disputa. Encontrou boataria de jornais e querelas jurídicas da “Santa Casa”. Além disso, aleivosias, ilações relativas às grandes obras realizadas com recursos de emendas parlamentares. Fatos, nenhum.

Cá do meu lugar de contemplação, já que há algum tempo me retirei do centro do furdunço político, acredito que o comboieiro dará com os burros n’água. Talvez até os afogue, visto que recupera uma quase esquecida fama de perseguidor implacável. Aproveito para dizer que, pessoalmente, jamais sofri, eu mesmo, qualquer perseguição. Pelo contrário, recebi variados convites para mudar de lado, aos quais declinei porque não troco convicções por contracheque. Contudo, quem viveu a virada do século e seus primeiros anos no Acre, lembra que a toada não era exatamente essa.

Nisso, o PT sempre foi um tanto pragmático, como um radical islamita. Se está do meu lado, ok; se quiser vir para o nosso lado, ok; se quiser ficar contra aguente as consequências. No caso do Islã, isso significa uma navalha no pescoço. Não havia, como inaugurou Gladson Cameli, essa farofa ideológica operando dentro do governo, com dezenas de cargos ocupados por adversários políticos sem que fossem chamados cada um a se enquadrarem. A isso, o próprio governador denominou, equivocadamente, de “democracia”.

Voltemos ao Marcio Bittar. Ora, o Senador acreano, um dos mais profícuos da história, o único a ocupar a cobiçadíssima relatoria do orçamento da união, é hoje, reconhecidamente, um dos políticos mais próximos do candidato à presidência, Flávio Bolsonaro que, em sinal de prestígio, já lhe atribuiu a concepção das ideias fundadoras de um novo plano de desenvolvimento para a Amazônia. Além disso, figura nas pesquisas para o senado como segundo colocado, sendo superado apenas pelo ex-governador Gladson Cameli.

Não se trata, portanto, de um opositor fácil de vencer por quem anda agarrado a fios de lembrança de algumas obras importantes em 20 anos, a um projeto de desenvolvimento fracassado – a florestania, e um presente aliado à perseguição de adversários como os de oito de janeiro, e ao silêncio em relação à patifaria generalizada do governo Lula. O homem responsável pela realização das feiras internacionais dirá que estava muito ocupado em suas viagens pelo mundo e, certamente, não teve tempo para se inteirar do roubo aos aposentados ou do Masterescândalo que queima togas em Brasília.

Sem um discurso razoável, e com a candidatura do Lula se esfumaçando a cada viagem, a cada pronunciamento, a cada escândalo de corrupção – marca registrada do PT, Jorge Viana se vê em palpos de aranha para entregar a encomenda, que é uma das vagas que ajude a desequilibrar em favor da esquerda a correlação de forças no Senado a partir de 2027. Com a conjuntura política em sentido contrário, sem condições efetivas de conquista de novos eleitores, com seu partido prostrado em vãs candidaturas, com a direita consolidada e pujante assentada nos três candidatos viáveis ao governo, resta ao petista apelar para o tapetão onde tem aliados de sobra.

Curioso que, para acusar o senador Márcio Bittar, o ex-APEX se obriga a reconhecer a sua vasta atuação enquanto mobilizador de recursos do orçamento para obras no Estado. Neste sentido, Marcio ganhou um aliado. Fale mais, diria um espectador cínico.

Outro dado a reter é que essa recente investida pode revelar que a expectativa em relação ao naufrágio do Gladson Cameli no STJ foi frustrada. Todos sabem o quanto Jorge Viana militou no sentido de ferrar o ex-governador para dobrar as chances de vitória. Com o Gladson voando, foi o jeito se voltar contra o oponente direto. Se não vai no debate, vai na força, afinal, para que serve ter amigos nos lugares certos?

Estes são os anos de terror da era moderna no Brasil. Tribunais dispensam o mérito e o processo e se fixam na capa onde consta o nome da vítima-acusado, neste caso, Marcio Bittar. Apostando nisso, Robespierres se multiplicam em todos os lugares e esferas para punir. Punir, punir todos aqueles que ousam não se converter ao socialismo recodificado (para compreensão exata, leiam meu último livro – O anel progressista). Punam Flávio Bolsonaro, punam Romeu Zema, punam Marcio Bittar, tirem todos da disputa, eles são uma ameaça! A guilhotina está na praça, chamem o “Sanson”!

Só para não esquecer, Robespierre morreu guilhotinado sob as mesmas condições que pregava. Sem julgamento justo.

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Valterlucio Campelo

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP.

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