“Mantida a tendência, será no primeiro turno”: colunista analisa nova pesquisa Delta e vê caminho aberto para Alan Rick

Então, saiu mais uma pesquisa Delta para os cargos majoritários. Nenhuma surpresa e, por isso mesmo, muito importante, porque parece haver uma certa cristalização do cenário ao longo do tempo.

Vejamos que para governador, o senador Alan Rick, com índices superiores aos dos adversários somados, mantém ao longo do tempo uma tendência de estabilidade com viés de alta, ou seja, a cada rodada sobe um pouco mais e vai deixando os concorrentes para trás, brigando por um segundo lugar bem distante do favorito. Fechada a janela partidária, sabendo-se de antemão quem estará com quem, não é demais conjecturar que a coisa pode ser resolvida no primeiro turno.

É claro que a campanha está apenas começando, ainda com o nomezinho de pré-campanha que é um faz de conta. Alguns dirão que tudo pode acontecer etc. Outro dirão com ar de sabedoria que já viu muito candidato começar de baixo e vencer. Acontece, mas não é a regra. Se fosse assim, os candidatos comemorariam iniciar na rabeira (até agora não vi nenhum fazer isso). Outros, ainda, dirão que não acreditam em pesquisas, embora as façam o tempo todo e chorem com elas no travesseiro.

Outros “cientistas eleitorais” dirão que os dados da espontânea são ainda muito tímidos e, com mais de 80% de indecisos, a pesquisa não vale um fósforo queimado. Aí é ignorância mesmo. Este é, por agora, o dado mais importante.

Faltando cinco meses para a eleição, os dados espontâneos são mais importantes porque: medem a intensidade de intenção real, ou seja, a citação de um nome de memória reflete envolvimento político genuíno, não mera familiaridade; filtram o “ruído” do reconhecimento, já que na estimulada candidatos com alta exposição midiática costumam inflar artificialmente seus números sem que isso se converta em voto; antecipa tendências, ou seja, os movimentos na espontânea costumam preceder movimentos na estimulada em algumas semanas; captura o “voto convicto”, quer dizer, historicamente, o eleitor que cita espontaneamente um candidato, dificilmente fará uma escolha diferente até a urna. É um eleitor consolidado, permanente.

A pesquisa estimulada se torna mais confiável a partir de 30 a 45 dias antes do pleito, com a propaganda eleitoral gratuita já no ar e os debates ocorrendo. Com o processo em fase final, a pesquisa estimulada converge para o resultado real e passa a ser o indicador mais preciso, porque o eleitor médio já tomou conhecimento de todos os concorrentes viáveis e foi capturado pelo processo eleitoral.

A melhor leitura da pesquisa hoje é saber como está o líder em relação aos concorrentes na pesquisa espontânea. Se estiverem, digamos, muito próximos em preferência e rejeição, muito provavelmente o curso da campanha será de disputa ferrenha. Entretanto, se o líder estiver muito à frente, como é o caso atual (Alan Rick quase o dobro de Mailza e o triplo de Bocalom), é bastante razoável supor que o processo eleitoral vai “ler” este dado e projetá-lo fortemente para o futuro.

A pesquisa espontânea, quase sempre relegada a segundo plano até por analistas políticos importantes, diz muito mais do que parece. Para este colunista, ela hoje impressiona e prediz mais do que a estimulada. Ela informa a musculatura do candidato na partida.

Outro dado importante – a rejeição, é extraordinariamente favorável ao Alan Rick. Com 5,5% é dizer que quase o Acre inteiro considera a possibilidade de votar nele. Enquanto isso, Bocalom anda pelos 30%, ou seja, quase um terço do eleitorado quer vê-lo pelas costas.

Verificado através de três abordagens estatísticas, chegamos a um percentual de 47% de possibilidades de que Alan Rick ganhe a eleição no primeiro turno. A projeção é sustentada por rejeição excepcionalmente baixa (5,5%); liderança folgada e espontânea consolidada, e adversários com tetos comprimidos e disputando o mesmo nicho. É claro que o cenário é estruturalmente favorável, mas não determinístico, pois a janela de 5 meses comporta múltiplas mudanças.

Aliás, pensando nisso, estou realizando por minha conta e risco, um estudo científico que pretendo publicar o mais rápido possível, visando construir um índice composto de potencial competitivo para os 4 principais candidatos ao Governo do Acre em 2026, baseado em avaliação multidimensional especializada processada por lógica fuzzy. Estou trabalhando com 10 variáveis e a colaboração de 10 especialistas e pretendo, ao final, ter uma avaliação estrutural da campanha. Não se trata de predição (isso é lá com Mãe Dinah), trata-se de demonstrar cientificamente a “musculatura” de cada candidato.

Picture of Valterlucio Campelo

Valterlucio Campelo

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP.

outros artigos

O conteúdo deste artigo é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Diário do Acre.

Tópicos:

Nossa responsabilidade é muito grande! Cabe-nos concretizar os objetivos para os quais foi criado o jornal Diário do acre