O parlamentar já apareceu em lista de Flávio Bolsonaro e é avaliado internamente como o nome mais competitivo da base governista; possível dobradinha com Bittar também circula nos corredores.
A condenação do ex-governador Gladson Cameli pelo Superior Tribunal de Justiça, nesta quarta-feira (6), pode ter acelerado e muito o relógio político do Acre. Quem ganha com a virada jurídica? Quem perde? E, sobretudo, a direita acreana tem mais um nome para preencher o vácuo que se abre com o afastamento político de uma das figuras mais influentes do estado?
Pois bem. Nos corredores de Brasília e nos grupos reservados que animam as conversas em Rio Branco, um nome tem aparecido com crescente frequência: o do deputado federal Coronel Ulysses (União Brasil). Não é de hoje que o parlamentar figura nessas especulações e chegou a pontuar em pesquisas e aparecer numa lista atribuída ao senador Flávio Bolsonaro, que circulou vazada e indicava a composição de candidaturas de direita pelo país. Coincidência ou sinal?
Dentro da federação União Brasil/PP, o ambiente já era favorável ao deputado antes mesmo da decisão do STJ. Segundo o que se comenta nos bastidores, Ulysses vinha sendo tratado como prioridade para a composição majoritária de 2026, cenário que teria se consolidado especialmente após a aliança abrir mão da indicação do vice na chapa da governadora Mailza Assis.
Com a decisão do tribunal, lideranças ouvidas reservadamente afirmam que Ulysses se tornaria o nome mais competitivo para ocupar uma das vagas ao Senado pela base governista. Nada oficial, claro, mas essas conversas costumam valer mais do que os comunicados.
A movimentação não para por aí. O MDB também acompanha o novo momento com olhos atentos e discute internamente a viabilidade de lançar Jéssica Sales ao Senado. Até o momento, Mailza não se pronunciou oficialmente sobre a composição da chapa, silêncio que, no jogo político, raramente é neutro.
Outro elemento que parece fortalecer a pré-candidatura de Ulysses é a aproximação com lideranças do PL. Interlocutores apontam que a cúpula da sigla demonstraria interesse em apoiar o projeto político do deputado, o que, se confirmado, representaria uma base eleitoral considerável. E há ainda outra hipótese que ganha corpo: uma possível dobradinha entre Ulysses e Marcio Bittar pelas duas vagas ao Senado em 2026, combinação que já circula entre os que fazem os cálculos da direita no estado.
O próprio Ulysses confirmou que recebeu sondagens de Brasília, mas deixou claro que nenhuma decisão foi tomada. Lembrando que é pré-candidato à reeleição à Câmara dos Deputados, o parlamentar disse que qualquer mudança de planos será avaliada coletivamente. “Não é de hoje que recebo sondagens sobre uma candidatura ao Senado. E, claro, que se intensifica com a decisão do STJ em relação ao ex-governador Gladson, a quem tenho respeitado mesmo diante das sondagens recebidas”, declarou, acrescentando que a decisão será tomada “com calma” e em conjunto com seu grupo político, “com todo o respeito” que tem pelos eleitores.
O mapa político acreano de 2026 ainda está sendo desenhado, mas, nos bastidores, o nome de Ulysses já ocupa mais espaço do que antes. Se isso vai se converter em candidatura oficial, só o tempo e as conversas que ninguém assume ter vão dizer.


