Pequeno estudo do PIB per capita do Acre (1999-2018)

Desde o início deste século, melhor dizendo, desde a assunção ao poder do governo de esquerda, representada no Acre pela Frente Popular do Acre – FPA, em 1999, tivemos 3 governadores: Jorge Viana (oito anos); Binho Marques (quatro anos); Tião Viana (oito anos). Derrotada em nas eleições de 2018, a FPA deu lugar ao PP de Gladson Cameli (últimos sete anos).

Fiz um pequeno estudo para verificar a performance econômica de cada período do governo petista na tentativa de demonstrar que, diferentemente do que Jorge Viana e seus acólitos apregoam nas redes sociais e entrevistas docemente realizadas, a realidade é de fracasso. Vejamos as tabelas abaixo, onde comparamos a performance do Acre com a Região Norte e com o Brasil em termos de PIB per capita, uma medida que diz, de forma direta, quanto de riqueza é produzida em média por cada habitante de um território, considerando a soma de todos os bens e serviços finais produzidos (PIB) dividida pela população.

Tabela 1. Período Jorge Viana – PIB per capita em reais de 2023

AnoAcreNorteBrasilAcre/NorteAcre/Brasil
199916.93017.661~30.74295,9%55,1%
2000~17.42118.412~31.41294,6%~55,5%
2001~17.69218.668~31.30194,8%~56,5%
2002~18.10819.428~31.43593,2%~57,6%
200317.32818.97631.09791,3%55,7%
2004~18.99720.29932.14693,6%59,1%
2005~18.74720.28132.55792,4%57,6%
2006~18.27320.73332.82388,1%55,7%

Vê-se aqui, que Jorge Viana pegou o Acre com PIB per capita em 95,9% em relação à região Norte e entregou com apenas 88,1%. Pode-se dizer que o Acre andou mais devagar que a região, cada acreano produziu em média menos 7,8% do que seus compatriotas do Norte. Cresceu a uma taxa anual de 0,96% contra 2,03% do Norte.

Vejamos os quatro anos do Binho Marques:

Tabela 2. Período Binho Marques – PIB per capita em reais de 2023

AnoAcreNorteBrasilAcre/NorteAcre/Brasil
200722.80823.70537.25996,2%61,2%
2008~23.59424.35538.75596,9%60,9%
2009~24.10323.965~37.851100,6%~63,7%
2010~23.297~25.41840.832~91,7%57,1%

Aqui percebe-se uma recuperação importante nos primeiros anos e uma queda brusca de quase 10% no final do período. Considerado como um todo, o período foi de um crescimento de 0,52% ao ano, contra 1,76% da região norte e 2,32% do Brasil. O Acre perdeu 4,1% em relação ao Norte e 4,5% em relação ao Brasil.

Vejamos o período Tião Viana:

Tabela 3. Período Tião Viana – PIB per capita em reais de 2023

AnoAcreNorteBrasilAcre/NorteAcre/Brasil
201125.203~29.32046.896~86,0%53,7%
2012~26.040~30.94647.45084,1%~54,9%
2013~27.348~31.87349.07285,8%~55,7%
2014~29.236~30.68548.91895,3%59,8%
201527.76930.07248.52792,3%57,2%
2016~25.823~29.20746.62888,4%55,4%
2017~25.461~30.36246.94083,9%54,2%
2018~24.166~29.20846.03882,7%52,5%

Vemos facilmente que se manteve o padrão. Mais perda em relação à região Norte e ao Brasil. Em 2018, o Acre já tinha um PIB per capita de apenas 82,3% em relação ao Norte e de 52,5% em relação ao Brasil. Lembremos que está aqui o período de recessão da Dilma, de modo que o Acre teve crescimento negativo de 0,52% ao ano, enquanto o Norte negativou em 0,05% e o Brasil em 0,23%. Novamente a FPA produziu mais perda econômica relativa.

Tabela 4 – Consolidado das 3 gestões (taxas de crescimento do PIB per capita)

GestãoDuraçãoAcreNorteBrasilAcre/ NorteAcre/Brasil
Jorge Viana (1999-2006)8 anos+0,96% a.a.+2,03% a.a.+0,82% a.a.+0,14 p.p.+0,6 p.p.
Binho Marques (2007-2010)4 anos+0,52% a.a.+1,76% a.a.+2,32% a.a.-1,80 p.p.-4,1 p.p.
Tião Viana (2011-2018)8 anos-0,52% a.a.-0,05% a.a.-0,23% a.a.-0,29 p.p.-1,2 p.p.

Aqui, os períodos FPA consolidados:

Tabela 5 – Período FPA (PIB per capita)

AnoAcre R$Norte R$Brasil R$Acre/NorteAcre/Brasil
199916.93017.66130.74295,86%55,10%
200317.32818.97631.09791,32%55,70%
200722.80823.70537.25996,22%61,20%
201125.20329.32046.89685,96%53,70%
201527.76930.07248.52792,34%57,20%
201824.80629.91147.26282,93%52,50%

Fica demonstrado que o período da frente popular no governo foi desastroso, o Acre perdeu 13% de PIB per capita em relação à região Norte e 2,6% em relação ao Brasil. Um cenário bem diferente daquele pintado por seus intérpretes no processo político atual. Esta análise serve para desmistificar a falácia “vianista” de que “no meu tempo, o Acre cresceu tantos por cento”. Tratar números em valores absolutos sem deflacionar e sem comparação é um embuste estatístico velho. Todos cresceram, mas os outros cresceram bem mais que o Acre. Se fosse uma corrida, chegaria na rabeira. Simples assim.

OBS:  Para os cálculos, utilizei a CAGR — Compound Annual Growth Rate, também chamada de Taxa Geométrica de Crescimento Anual ou TGCA.

O CAGR representa a taxa média anual constante que, aplicada de forma composta (juros sobre juros) sobre o valor inicial, produziria o valor final observado ao longo de um período. É a forma estatisticamente correta de expressar crescimento médio anual em séries temporais, diferente da média aritmética simples.

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