Depois que os Estados Unidos começaram a exercer forte pressão sobre a ditadura comunista de Cuba, – já perdura por longos 67 (sessenta e sete) anos -, e especialmente depois da captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, captura que foi efusivamente comemorado pelo povo venezuelano, decidi conhecer melhor o que pensam os opositores do tirânico regime.
Já fazia algum tempo que o livro “A Vida Secreta de Fidel – As Revelações de Seu Guarda-costas Pessoal”, estava na minha listinha de obras a serem lidas. Tenho vivo interesse intelectual pela seita do comunismo, até mesmo para orientar as pessoas que eu amo, no sentido de não se deixarem iludir por essa ideologia perversa, que pode ser inoculada sem que a vítima perceba.
Uma das formas imperceptíveis que alguém pode ser contaminado pela seita do comunismo, dar-se, exatamente, por meio de determinadas teologias (teologia da libertação e teologia da missão integral). Em outro artigo, já me reportei ao importante livro sobre essa questão, intitulado “Teologia da Libertação: Um Salva Vidas de Chumbo para os Pobres”.
Com esse intenso debate sobre a pressão dos Estados Unidos sobre a ditadura cubana, tomei a decisão de ler o livro depoimento do guarda-costas (Juan Reinaldo Sanchez) de Fidel Castro. Comprei o livro e o li rapidamente. Levei 03 (três) dias para ler os 16 capítulos. Leitura extremamente fácil e agradável, como um romance.
O livro depoimento do autor acima citado, foi notícia em vários veículos de comunicação do mundo. Destaco o da ”Revista Veja”, que confirma os horrores que o autor sofreu quando perdeu a confiança do tirânico regime: “Depois de dois anos na cadeia, (Juan Reinaldo Sánchez) passou uma década tentando fugir do país. Conseguiu em 2008, e levou consigo alguns segredos de Fidel”.
Como dito, incialmente fiz uma leitura muito rápida, como quem ler um jornal. Fiquei impressionado com o julgamento do general Ochoa. Eu já conhecia o caso do general Arnaldo Tomás Ochoa Sanchez. Lembrava-me das notícias quando do seu fuzilamento pelo regime castrista. Mais recentemente, ouvi um depoimento de um cubano (residente no Brasil) que me afirmou ter sido uma farsa.
Com a recente notícia de que o Governo Donald Trump indiciou Raul Castro pela derrubada de duas aeronaves civis, pertencentes à organização “Irmãos ao Resgate”, de exilados cubanos, por caças cubanos, matando todos os ocupantes, o que gerou, à época (1996), uma onda de condenação pela comunidade internacional, aguçou-me o desejo de reler o capítulo sobre o julgamento do general Ochoa.
É de arrepiar o julgamento do general e de outros seus companheiros! Em pouco menos de um mês depois da prisão, Ochoa já foi fuzilado. O processo do militar durou apenas 04 (quatro) dias. E aqui vai um juízo do autor do livro, dizendo o que foi tal “julgamento”: “Ficará para sempre gravado na memória coletiva dos cubanos como uma das maiores ignomínias do reinado sem fim de Fidel Castro Ruz”.
O autor do livro faz um preâmbulo de como o general Ochoa caiu em desgraça perante o regime cubano, ele que havia recebido a maior condecoração pelos seus feitos militares, especialmente na África, onde aí liderou missões delegadas pelas lideranças políticas de seu país (Cuba).
Relata que ouviu um diálogo do general José Abrantes, ministro do interior desde 1985 – o julgamento deu-se em 1989 – em que tomou conhecimento do envolvimento do regime com o narcotráfico. A partir daí (disse), perdeu toda a sua ilusão com a revolução comunista, à qual dedicara sua vida, e seria capaz de morrer por ela. O mundo caiu!
Não podemos esquecer que, nos anos 80 do século passado, a economia planificada de Cuba estava em crise. Não contava mais com a ajuda da ex-União Soviética. E qual era a lógica do comandante para se envolver com o tráfico de drogas, como forma de obter divisas? Sanchez dá a informação que eu já sabia de outra fonte.
A informação de que o regime cubano é envolvido com o narcotráfico, eu já sabia a partir da leitura do livro “Hugo Chaves: O Espectro”, do jornalista Leonardo Coutinho. Transcrevo as palavras do guarda-costas de Fidel Castro, dizendo qual era a lógica de “El Comandante”, para praticar narcotráfico internacional: “…se os ianques são estúpidos o suficiente para consumir a droga vinda da Colômbia, podia servir a seus objetivos revolucionários na medida em que corrompia e desestabilizava a sociedade americana”.
Para Fidel Castro – diz Sanchez – o narcotráfico é uma arma para a luta revolucionária.
Ocorre que, os americanos começaram a suspeitar do narcotráfico praticado pelo regime cubano, a partir do início dos anos 80. Prisões feitas na Flórida dão conta da ligação do regime cubano com Pablo Escobar e seu Cartel de Medellin. Isto é, a droga da Colômbia, antes de chegar aos Estados Unidos, passavam por Cuba, com a autorização do regime, que se tornara sócio do referido cartel.
Fidel Castro, fingindo desconhecimento do que se passava – Sanchez conviveu com ele por 17, e diz que era um mestre da dissimulação – decide pelo processo contra o general Ochoa e seus outros companheiros. Precisava de um bode expiatório para dar alguma satisfação à comunidade internacional.
O general Ochoa foi julgado por um Tribunal de Honra Militar e por um Tribunal Militar Especial, na chamada “Causa nº 01\1989. Processo conduzido e aprovado pelo alto comando do regime castrista. O julgamento – condenação à morte – foi referendado pelo Conselho de Estado de Cuba, liderado por Fidel Castro.
Enfim, a decisão já estava previamente tomada por Fidel Castro. O que houve foi um simulacro de julgamento. O julgamento do general Ochoa é algo muito parecido com o que foram os julgamentos de Moscou. Onde não há liberdade não pode haver julgamento. O poder judiciário não funciona. Impõe a vontade do tirano. É o que aconteceu no julgamento de Ochoa.
Para Evandro Lins e Silva Pires, no seu livro “A Defesa Tem a Palavra”, os erros judiciários acontecem por vários motivos. Um deles são confissões arrancadas sob coação. Isto é, confissões arrancadas por meios violentos.
No caso do julgamento do General Ochoa não se tratou de um erro judiciário por falha técnica do processo. Não. Esse erro judiciário deu-se a partir de uma narrativa falsa, no intuito de preservar o regime comunista perante à comunidade internacional. Para criar uma desculpa, fazendo parecer ao mundo de que o regime comunista não tinha nada a ver com o tráfico de drogas, que fora descoberto a partir de prisões feitas nos Estados Unidos, em que se tomou conhecimento de que a Ilha era uma rota de tráfico de drogas, utilizada por Pablo Escobar.
Enfim, o livro “A Vida Secreta de Fidel – As Revelações de Seu Guarda-costas Pessoal”, de Juan Reinaldo Sanchez, é uma obra que deve ser lida por todos que se interessam pelos erros judiciários. Os erros judiciários ocorrem com muita frequência, e são uma verdadeira tragédia para os que deles são vítimas. Recomendo para os que ainda alimentam alguma ilusão com o comunismo.


