O avanço de javalis e javaporcos sobre áreas rurais brasileiras virou um problema de proporções nacionais. Sem predadores naturais no Brasil e altamente adaptáveis, os animais se reproduzem rapidamente, destroem lavouras, degradam nascentes e representam risco sanitário grave para a produção agropecuária. Para tentar dimensionar o tamanho do problema, o Ministério da Agricultura e Pecuária, com articulação do Sistema FAEP, abriu uma pesquisa nacional que reúne dados diretamente dos produtores rurais. Os do Paraná têm até o dia 31 de maio para participar.
O levantamento, intitulado “Suínos Asselvajados: Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil 2025/2026”, tem como objetivo mapear a ocorrência dos animais nas propriedades rurais, identificar prejuízos e orientar estratégias mais eficientes de manejo e controle da espécie. A iniciativa partiu da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, no Paraná, e culminou na criação do Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná, formado por instituições como Ibama, Exército Brasileiro, Adapar e entidades do setor produtivo.
O cruzamento de javalis com suínos domésticos, que dá origem aos chamados javaporcos, agrava ainda mais a situação. Os híbridos herdam a rusticidade e a capacidade reprodutiva dos javalis e aceleram a expansão da espécie por diferentes regiões produtoras do país, tornando o controle cada vez mais difícil sem uma resposta coordenada entre produtores, manejadores autorizados e órgãos públicos.
Os prejuízos vão muito além das lavouras destruídas. Os animais também causam degradação da vegetação nativa, destruição de nascentes e cursos d’água, desequilíbrios ambientais e acidentes envolvendo pessoas e veículos em áreas rurais. No aspecto sanitário, o alerta é ainda mais grave: os javalis podem atuar como transmissores de doenças como a Peste Suína Africana, a Peste Suína Clássica e a Febre Maculosa, colocando em risco a sanidade da produção brasileira e ameaçando mercados internacionais da carne suína.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o engajamento dos produtores será determinante para que o estudo gere resultados efetivos. “Essa pesquisa é uma ferramenta estratégica para transformar uma realidade que já impacta diretamente o campo. Quanto maior for a participação dos produtores, mais consistente será o diagnóstico e, consequentemente, mais eficazes serão as políticas públicas que podem ser construídas a partir desses dados”, afirma.
Meneguette destaca que o Sistema FAEP vem atuando de forma permanente no enfrentamento da praga, buscando soluções conjuntas para reduzir os impactos da espécie invasora. Segundo a entidade, mesmo produtores que não tiveram contato direto com os animais podem contribuir, compartilhando o questionário com outros produtores e controladores autorizados que atuam no manejo da espécie.
O Sistema FAEP orienta que produtores que já avistaram javalis, sofreram prejuízos ou identificaram movimentação da espécie em suas propriedades participem da pesquisa. Há formulários específicos para produtores rurais e para agentes de manejo, disponíveis nos canais do Sistema FAEP. A expectativa é que o levantamento ajude a consolidar um diagnóstico nacional mais preciso sobre o avanço dos animais no campo brasileiro.
Os resultados da pesquisa devem ser divulgados no segundo semestre deste ano e servirão de base para orientar medidas de enfrentamento à praga. O prazo para participação dos produtores do Paraná encerra no dia 31 de maio.



