Especialistas apontam que próximo presidente terá como prioridade equilibrar as contas públicas e recuperar a confiança dos investidores
A Colômbia realiza neste domingo (31) o primeiro turno das eleições presidenciais que definirão o sucessor do atual governo. Os principais candidatos na disputa são Iván Cepeda, representante da esquerda colombiana, Abelardo de la Espriella, da extrema direita, e Paloma Valencia, do partido Centro Democrático. Independentemente do resultado das urnas, o próximo presidente encontrará um cenário econômico desafiador e terá pela frente importantes decisões para estabilizar o país.
Segundo Ernesto Revilla, economista-chefe para a América Latina do Citi, a principal preocupação da próxima administração será a situação fiscal colombiana. O país registra um dos maiores déficits fiscais da América Latina, com projeção de atingir 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, enquanto a dívida pública já se aproxima de 61% do PIB. Para o especialista, será fundamental convencer a população e os mercados de que haverá compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
Além do desafio fiscal, a economia colombiana vem apresentando crescimento abaixo de seu potencial histórico. De acordo com Revilla, a redução dos investimentos privados e a perda de confiança dos investidores nos últimos anos contribuíram para desacelerar a atividade econômica. Outro fator de preocupação é a inflação, que continua acima da meta estabelecida pelo Banco Central, exigindo a manutenção de taxas de juros elevadas, o que limita a expansão da economia.
Apesar das dificuldades, alguns indicadores seguem dando suporte ao crescimento do país. O consumo das famílias continua impulsionando parte da atividade econômica, enquanto as exportações colombianas permanecem competitivas no cenário internacional. Segundo o economista, a recente desvalorização global do dólar também beneficiou a moeda colombiana, ajudando a fortalecer a posição do país no comércio exterior.
Estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que a Colômbia precisará realizar um ajuste equivalente a cerca de três pontos percentuais do PIB para restabelecer o equilíbrio fiscal. Embora considere o desafio significativo, Revilla avalia que a meta ainda é administrável. Caso nenhum dos candidatos alcance mais de 50% dos votos válidos neste domingo, os eleitores voltarão às urnas no dia 21 de junho, quando será realizado o segundo turno das eleições presidenciais.



