Jogo duro no campo: Lula despeja bilhões em promessas mas agro segura a porteira na renegociação das dívidas

Numa tentativa de melhorar a própria imagem e fortalecer sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, desde o segundo semestre do ano passado, mais de uma dezena de medidas que, somadas, giram em torno de 200 bilhões de reais.

Fazem parte da lista novas linhas de crédito, ampliação de programas sociais e isenções de tributos e subvenções destinadas a conter o aumento do preço dos combustíveis. O petista tem alvos bem definidos: setores da economia e nichos do eleitorado que são refratários a ele ou que se distanciaram dele nos últimos tempos.

Uma das prioridades de Lula é tentar construir pontes com o agronegócio, que quer a renegociação de dívidas de até 180 bilhões de reais. O governo já se mostrou favorável à iniciativa, mas até agora não chegou a um acordo sobre os termos da repactuação, que pode ocorrer por meio de um projeto de lei em tramitação no Congresso ou via medida provisória.

Na quarta-feira 27, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou a renegociação desses débitos bilionários com regras defendidas pelos produtores, mas rechaçadas pela equipe econômica, que não aceita o modelo proposto. O desafio do governo é costurar um entendimento que, além de ser pertinente do ponto de vista financeiro, atinja um objetivo maior: reduzir a rejeição a Lula no agro. Por enquanto, está difícil.

No fim do mês passado, Lula não participou da abertura da Agrishow, a principal feira agrícola do país, em Ribeirão Preto. Ele foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que divulgou uma linha de crédito de 10 bilhões de reais para troca de máquinas agrícolas. O agrado foi considerado insatisfatório, e o setor deixou claro que sua prioridade é a pauta da renegociação das dívidas.

Pacote plural

Em outra frente, Lula também lançou uma linha de crédito de 30 bilhões de reais para ajudar motoristas de aplicativos e taxistas a trocarem de carro. Antes, o governo já havia anunciado outra linha, de pouco mais de 20 bilhões de reais, para impulsionar a compra de caminhões e ônibus.

Como se sabe, entidades de caminhoneiros marcharam ao lado de Bolsonaro em 2022. Já motoristas de aplicativos, reconhecem os petistas, não nutrem muita simpatia pelo governo, que, segundo os críticos, teria uma visão anacrônica sobre os empreendedores autônomos. A derrama de recursos é uma tentativa de aproximar as partes.

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