Boi gordo tem negócios acima da referência e expectativa de novas altas com R$ 365/@ na mira

O mercado do boi gordo retomou os negócios após o feriado em um ambiente claramente mais favorável ao pecuarista. Em diversas praças pecuárias, frigoríficos voltaram às compras pagando valores acima das referências médias, reflexo de uma combinação que tem marcado o setor nas últimas semanas: oferta restrita de animais terminados, escalas de abate apertadas e demanda internacional aquecida.

Embora o consumo doméstico ainda enfrente concorrência das proteínas mais baratas, principalmente a carne de frango, o cenário atual mostra uma indústria com dificuldade para encontrar matéria-prima suficiente para alongar suas programações de abate. O resultado é um mercado firme, sustentado por fundamentos que continuam favorecendo a arroba.

Escalas curtas seguem pressionando frigoríficos

Segundo análise da Safras & Mercado, o movimento de valorização observado logo após o feriado está diretamente ligado à dificuldade enfrentada pelos frigoríficos para preencher suas escalas de abate. Em várias regiões produtoras, os pecuaristas continuam adotando postura cautelosa na comercialização, limitando a oferta disponível.

Esse comportamento ocorre em um momento típico de transição para a entressafra das pastagens. Mesmo com a chegada do período seco em parte do Centro-Sul, muitos produtores ainda possuem capacidade de retenção dos animais, evitando vendas em momentos considerados desfavoráveis.

Na prática, isso reduz a disponibilidade imediata de boiadas prontas para o abate e aumenta o poder de negociação do pecuarista.

Exportações seguem sendo o principal motor do mercado do boi gordo

Se a oferta restrita ajuda a sustentar os preços, é a demanda internacional que continua oferecendo suporte adicional ao mercado brasileiro.

Os embarques de carne bovina permanecem em ritmo acelerado, especialmente para atender a demanda chinesa. As semanas que antecedem o preenchimento da cota de exportação destinada ao país asiático têm sido marcadas por forte volume de negócios. O setor acompanha de perto o momento em que Pequim poderá emitir alerta indicando que aproximadamente 80% da cota brasileira foi utilizada, situação que normalmente leva as indústrias a ajustarem suas estratégias comerciais.

Além da China, os Estados Unidos continuam figurando entre os principais compradores da carne bovina brasileira. O mercado norte-americano atravessa um período de preocupação sanitária envolvendo casos relacionados à mosca-da-berne, fator que aumenta a atenção sobre a disponibilidade futura de proteína bovina naquele país e contribui para a valorização dos contratos futuros da carne nos EUA.

Bahia registra alta da arroba e reforça tendência nacional

No Oeste da Bahia, um dos polos pecuários mais importantes do Matopiba, o mês de junho começou com redução da oferta de bovinos terminados, cenário que impulsionou os preços.

De acordo com levantamento da Scot Consultoria, a arroba do boi gordo avançou 0,8% na comparação semanal, alcançando R$ 319,50/@. Já a novilha registrou valorização ainda maior, de 1,7%, chegando a R$ 295,00/@. A vaca gorda permaneceu estável em R$ 285,50/@.

O levantamento mostra ainda que o diferencial de base em relação ao mercado paulista permanece em torno de R$ 24,00/@, o equivalente a 7,5% abaixo dos preços praticados em São Paulo, onde a arroba gira em torno de R$ 343,50/@.

Segundo a Scot, o viés de curto prazo continua sendo de alta, justamente pela redução da oferta de bovinos na região.

Consumo interno encontra apoio nos eventos esportivos

No mercado doméstico, os preços da carne bovina no atacado também apresentaram recuperação durante a primeira semana de junho.

A melhora ocorre em meio à boa reposição entre atacado e varejo, especialmente na primeira quinzena do mês, período tradicionalmente mais favorável ao consumo. Outro fator observado pelos agentes do mercado é o aumento esperado da demanda em função dos jogos da Seleção Brasileira, que costumam estimular as vendas para churrascos e confraternizações.

Mesmo assim, o setor continua atento à perda de competitividade da carne bovina frente ao frango, proteína que segue sendo a principal alternativa para consumidores mais sensíveis aos preços.

Mercado entra em junho com fundamentos favoráveis

O início de junho reforça uma percepção cada vez mais presente entre analistas e pecuaristas: a oferta de animais terminados continua longe de ser abundante, enquanto a demanda internacional segue aquecida.

Esse equilíbrio tem permitido que a arroba mantenha trajetória firme mesmo diante das oscilações econômicas e dos desafios enfrentados pelo consumo doméstico.

Para os próximos dias, a atenção do mercado permanecerá concentrada em três fatores principais:

  • Evolução das exportações para China e Estados Unidos;
  • Nível das escalas de abate dos frigoríficos;
  • Comportamento da oferta de animais durante a entressafra.

Se esses fundamentos permanecerem inalterados, o mercado tende a continuar trabalhando em um ambiente de sustentação dos preços, mantendo a expectativa de novas negociações acima das referências médias e fortalecendo o cenário de valorização da arroba ao longo de junho.

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