O título é falso, fui sim. Dos 16 aos 24 anos, como quase todo adolescente, tive a cabeça transformada em penico por professores esquerdistas, que procuravam doutrinar todo aquele que demonstrasse alguma coragem e gosto pela leitura. Me encheram a mente de tanta porcaria que, quando entendi o que era a mais-valia, me senti descobrindo o segredo do mundo. Depois, percebi que era um monte de fezes. Infelizmente, muitos ficaram mentalmente algemados à situação e até hoje dão suporte à canalha instalada no topo do poder.
Quem realmente “nunca foi esquerdista”, segundo o próprio, nesta quarta-feira na França, é Lula da Silva. Ele disse e prova o contrário. Somente nos últimos anos 3 anos proclamou:
1.Conferência Nacional da Juventude — 2023
Lula celebrou abertamente a nomeação do ministro Flávio Dino ao STF com declaração polêmica: “Vocês não sabem como eu estou feliz. Pela primeira vez na história, nós conseguimos colocar um ministro comunista na Suprema Corte deste país.”
2. 26º Foro de São Paulo — Brasília (Junho/2023)
Em discurso de 35 minutos, Lula disse não se sentir ofendido ao ser chamado de comunista: “Ser chamado de socialista ou comunista nos dá orgulho e, às vezes, a gente sabe que merece ser chamado assim.”
3. 16º Congresso do PCdoB — Outubro/2025
Lula discursou para militantes comunistas, criticou o mercado financeiro e reafirmou o compromisso com os trabalhadores: “O nosso discurso é para o povo brasileiro, para aqueles que trabalham. A Faria Lima que se cuide.”
4. Reunião do CONSEA — Palácio do Planalto (Agosto/2025)
Ao comemorar a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, fez a declaração mais direta e recente: “Cada vez vou ficar mais esquerdista, mais socialista, e vou ficar achando que a gente pode mais.”
5. 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global — Barcelona (Abril/2026)
Dois meses atrás, ao lado do premier espanhol Pedro Sánchez, Lula articulou uma frente internacional progressista e arrotou valentia: “Ninguém precisa ter vergonha de ser progressista ou de ser de esquerda.”
Fico por aqui, não vou preencher todo o espaço de que disponho, nem encher o saco dos leitores para mostrar todas as vezes em que Lula da Silva age como um embusteiro, um farsante, um canalha. A sua afirmação na reunião do G7, feita em voz baixa, fora do contexto, é depravada e revoltaria até seus capangas intelectuais se, por acaso, eles tivessem alguma vergonha. Não têm.
Antes de tudo, considero vergonhosa a declaração. Mentir descaradamente numa reunião do G7 não é coisa pequena. Os líderes mundiais sabem que ele está mentindo, o mundo todo viu, ninguém será enganado por aquela patranha. O nosso presidente diminui um pouco mais em sua dimensão internacional e nos leva junto.
Por incrível que pareça, o lulopetismo, incluindo seus representantes no Acre, seus candidatos ao Senado, Governo, Câmara Federal e Assembleia Legislativa, não estão com a cara vermelha, nem farão artigos defendendo a fala abjeta. Se esquivarão ou dirão que Lula estava apenas dando um sinal de moderação, estava sendo esperto, a mesma malandragem do tipo “a gente sabe que ele é, mas deixa ele dizer que não é porque, assim, ganhamos os votos dos otários”.
Essa doença genética da esquerda, essa empulhação permanente está sendo vista em todos os lugares. Encobertos pelo discurso “antipolarização”, os candidatos do PT flertam com os incautos do centro, inocentemente levados a tomar um café podre, gourmetizado com falsas promessas.
Assim como Lula soltou essa mentira para os líderes globais, seus candidatos oportunistas fazem o mesmo. Sentindo o cheiro de queimado para quem se alinha vigorosamente à esquerda, Lula sinalizou ao “caminho do meio”, numa filosofada distorcida que jamais entendeu. Aliás, estamos vendo isso aqui no Acre todos os dias. Repentinamente, os candidatos lulopetistas se danaram a dizer que essa história de ideologia, de esquerda e direita, não interessa e coisa e tal. Mentira tal e qual a fala de Lula em Paris. A disputa pelo poder no Brasil nunca foi tão ideológica.
Não é de hoje que lobos se vestem de ovelhas. Com o mundo provando a cada dia que seus princípios e bases filosóficas ruíram há muito tempo, vendo que o sujeito histórico de sua revolução – o proletário, passou para o outro lado, essa esquerda picareta e corrupta, gerada principalmente nas universidades, agarrou-se ao progressismo para de modo fragmentado continuar sua luta original, solapando as verdadeiras bases da sociedade. (Para aprofundar este ponto, leiam meu último livro “O anel progressista”, disponível na loja da UICLAP).
É preciso que não nos deixemos enganar, que sejamos vigilantes e alertemos uns aos outros. Lula da Silva, o farsante ideológico, que passa o dia aquecendo a militância e a noite nos braços das elites, assim como seus candidatos em todo o Brasil, usa despudoradamente a dúvida e a confusão, para alcançar seus objetivos. Lembrem-se de Lenin em “A Cultura e a Revolução Cultural”. Disse ele: “Para nós, não há uma moral situada fora da sociedade humana; isso é um engano. Para nós, a moral está subordinada aos interesses da luta de classes do proletariado.” Isso significa que ocultar, mentir, manipular ou distorcer informações contra o inimigo de classe é moralmente legítimo. Daí a cara de pau deles todos, mesmo quando lhe oferecem uma xícara de café com aroma de empatia.
Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWSe, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP
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