O mercado do boi gordo voltou a registrar forte valorização nesta semana, consolidando um novo momento para a pecuária brasileira. Após um período de maior cautela, a alta da arroba ganhou força em praticamente todo o país, impulsionada principalmente pela oferta restrita de animais terminados e pela necessidade crescente de compra por parte dos frigoríficos.
O cenário reforça as projeções de consultorias especializadas, que apontam para um ambiente favorável aos pecuaristas. Com dificuldades para ampliar as escalas de abate, a indústria voltou a disputar animais prontos para o abate, fortalecendo o poder de negociação dos produtores e sustentando novas altas nas principais regiões pecuárias.
Segundo levantamento da Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem entre quatro e sete dias úteis, patamar considerado curto para esta época do ano. A limitação na oferta de animais terminados continua sendo o principal fator de sustentação dos preços, enquanto frigoríficos buscam recompor suas programações de abate.
Além da oferta reduzida, o mercado acompanha fatores externos que também influenciam as negociações. Entre eles estão a possibilidade de aplicação de uma tarifa de 12,5% pelos Estados Unidos sobre produtos importados e o esgotamento antecipado das cotas brasileiras de exportação destinadas à China, pontos que seguem no radar do setor.
De acordo com a Agrifatto, 12 das 17 praças pecuárias monitoradas registraram valorização da arroba. A alta foi observada em estados como São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Acre, Alagoas, Maranhão, Pará e Rondônia. Nas demais regiões monitoradas, os preços permaneceram estáveis.
A consultoria destaca ainda que a pressão de baixa observada nas últimas semanas praticamente desapareceu, dando lugar a um movimento consistente de recuperação. O Acre aparece entre os estados que acompanharam a tendência nacional de valorização da arroba.
Em São Paulo, principal referência do mercado pecuário, a Scot Consultoria registrou alta de R$ 4 por arroba tanto para o boi destinado ao mercado interno quanto para o chamado “boi China”, que passou a ser negociado a R$ 342 por arroba, valor bruto e a prazo. A vaca gorda passou a valer R$ 315 por arroba e a novilha gorda chegou a R$ 328 por arroba.
Segundo a Agrifatto, algumas negociações no mercado paulista já alcançaram R$ 345 por arroba, reflexo da expectativa de reajustes positivos para a carne bovina no atacado e da postura mais firme adotada pelos frigoríficos nas compras.
O mercado atacadista também começou a reagir. A Safras & Mercado aponta que, diante da elevação dos custos da matéria-prima, os frigoríficos passaram a reajustar os preços da carne bovina para preservar suas margens operacionais. Os principais cortes registraram aumento de R$ 1 por quilo, com o quarto traseiro chegando a R$ 26,50, o dianteiro a R$ 20,00 e a ponta de agulha a R$ 19,00.
Apesar da recuperação, especialistas observam que o consumo doméstico ainda enfrenta limitações devido à concorrência de proteínas mais baratas, principalmente a carne de frango. Ainda assim, a expectativa é de melhora gradual nas vendas ao longo das próximas semanas.
Na avaliação da Scot Consultoria, o varejo já apresenta sinais positivos de reposição dos estoques, o que pode favorecer novas altas no atacado. A expectativa é de que o início de agosto apresente um mercado interno mais aquecido, impulsionando a demanda por carne bovina.
Enquanto o mercado físico segue fortalecido, os contratos futuros negociados na B3 registraram realização de lucros após uma sequência de altas. Ainda assim, o conjunto de indicadores aponta para um cenário positivo, sustentado pela oferta limitada de animais terminados, escalas curtas de abate e expectativa de melhora gradual da demanda, mantendo a arroba do boi gordo em trajetória de recuperação.



