Acre mantém emergência fitossanitária por mais um ano para conter avanço da monilíase no cacau e cupuaçu

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prorrogou por mais um ano a emergência fitossanitária em razão da presença da monilíase, doença que ameaça plantações de cacau e cupuaçu na Amazônia. A nova portaria foi publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira (24) e passa a valer a partir de 5 de agosto, mantendo as ações especiais de vigilância e controle nos estados considerados de risco.

Além do Acre, a medida também abrange Amazonas, Pará e Rondônia, estados que integram a área de atenção do governo federal para evitar a introdução e disseminação da praga. No Acre, onde foi identificado o primeiro foco da monilíase no Brasil, em 2021, a emergência fitossanitária permanece pelo quinto ano consecutivo.

Segundo o superintendente do Mapa no Acre, Paulo Trindade, a doença continua concentrada em quatro municípios do Vale do Juruá: Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Marechal Thaumaturgo. Desde 2022, o estado permanece oficialmente sob quarentena fitossanitária, com acompanhamento constante das áreas produtoras.

De acordo com o Ministério da Agricultura, equipes técnicas realizam inspeções em propriedades rurais duas vezes ao ano, além do monitoramento permanente das regiões vulneráveis. O trabalho de fiscalização e orientação tem sido fundamental para impedir que a doença avance para outras áreas do estado. “As medidas de monitoramento e contenção executadas no Acre são referência e têm impedido a dispersão da praga para fora das áreas onde ela foi inicialmente identificada”, afirmou Paulo Trindade.

Com a renovação da emergência, serão mantidas ações previstas no plano nacional de enfrentamento da monilíase, como monitoramento de áreas por dados georreferenciados, ampliação da vigilância fitossanitária, campanhas de educação para produtores, medidas de controle dos focos confirmados e protocolos de biossegurança para o transporte de amêndoas de cacau.

A doença, causada pelo fungo Moniliophthora roreri, é considerada uma das maiores ameaças à produção de cacau e cupuaçu. O fungo ataca diretamente os frutos, causando deformações, manchas, apodrecimento e o surgimento de uma camada esbranquiçada formada por esporos, que podem ser espalhados pelo vento. Em situações sem controle adequado, os prejuízos podem chegar a 80% da produção agrícola.

Apesar dos impactos econômicos para os produtores rurais, o Ministério da Agricultura destaca que a monilíase não apresenta riscos à saúde humana, atingindo exclusivamente plantas hospedeiras do fungo. A preocupação das autoridades está relacionada principalmente à proteção da cadeia produtiva do cacau e do cupuaçu, importantes atividades agrícolas da região amazônica.

O Acre segue como referência nas ações de combate à doença. Após o primeiro registro nacional da monilíase, em Cruzeiro do Sul, em julho de 2021, mais de 580 árvores foram eliminadas no primeiro ano de emergência como parte das medidas de contenção. Com a nova prorrogação, o governo federal busca garantir a continuidade da vigilância e preservar a produção agrícola, evitando que a praga alcance novas regiões produtoras da Amazônia.

Tópicos:

Nossa responsabilidade é muito grande! Cabe-nos concretizar os objetivos para os quais foi criado o jornal Diário do acre