Trinta e seis investigados na Operação Rota do Fim passaram a responder a uma ação penal acusados de integrar um esquema de tráfico interestadual de drogas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e porte ilegal de munições. De acordo com o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), o grupo utilizava empresas regularmente constituídas e cargas legais para esconder grandes quantidades de cocaína transportadas do Acre para outros estados brasileiros.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) à Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Rio Branco. A ação penal é resultado das investigações conduzidas durante a Operação Rota do Fim, realizada com o apoio da Receita Federal.
Segundo o MPAC, a organização criminosa possuía uma estrutura estável e bem definida, com divisão de funções entre seus integrantes. Cabia ao grupo coordenar o transporte dos entorpecentes, movimentar os recursos obtidos com a atividade criminosa e ocultar a origem do dinheiro por meio de pessoas físicas e jurídicas.
As investigações apontam que os envolvidos utilizavam empresas formalmente registradas, documentação fiscal regular e cargas lícitas para mascarar o transporte da droga. A estratégia, segundo o Ministério Público, permitia que grandes carregamentos de cocaína deixassem o Acre com destino a diferentes regiões do país sem levantar suspeitas imediatas.
A apuração teve início em maio de 2022, após a apreensão de aproximadamente 469 quilos de cloridrato de cocaína, além de porções de maconha e munições, no município de Poconé, em Mato Grosso. Na ocasião, os entorpecentes foram encontrados em compartimentos ocultos de um caminhão que transportava uma carga de biscoitos do Acre para o Rio Grande do Norte.
A partir dessa apreensão, os investigadores ampliaram as diligências e identificaram uma suposta rede criminosa com atuação em diversos estados brasileiros. As informações reunidas ao longo da investigação permitiram mapear a estrutura da organização e a forma como os recursos financeiros eram movimentados.
Durante a operação deflagrada neste ano, as investigações também identificaram que empresas ligadas à cadeia produtiva da carne bovina, como frigoríficos, empresas de leilão de gado, postos de combustíveis e até atividades rurais supostamente simuladas, teriam sido utilizadas para conferir aparência de legalidade aos recursos provenientes do tráfico de drogas.
Segundo o Gaeco, as apurações revelaram indícios da utilização de empresas de fachada, “laranjas”, blindagem patrimonial, movimentações financeiras incompatíveis e simulação de atividades rurais, mecanismos que teriam servido para ocultar a origem do dinheiro movimentado pela organização criminosa.
A Operação Rota do Fim foi realizada simultaneamente no Acre e em outros cinco estados brasileiros, mobilizando 145 policiais federais e 10 fiscais da Receita Federal. Durante a ofensiva, foram cumpridos mandados judiciais, além de medidas de bloqueio de bens e valores atribuídos aos investigados.
Com o oferecimento da denúncia, os 36 acusados poderão responder individualmente pelos crimes de organização criminosa, tráfico interestadual de drogas, lavagem de capitais e porte ilegal de munições, conforme a participação atribuída a cada um. O processo seguirá agora para análise da Justiça, que decidirá sobre o recebimento da denúncia e o prosseguimento da ação penal.



