Suplementação na seca: quais animais do rebanho precisam de mais atenção?

Quando a chuva demora a voltar, quais animais do rebanho sentem primeiro a perda de qualidade do pasto? E será que oferecer o mesmo suplemento para todo o gado é realmente a melhor estratégia? Durante a estiagem, o planejamento nutricional ganha importância, principalmente para categorias que enfrentam maior demanda de nutrientes.

Entre os animais que mais exigem atenção estão vacas em lactação, matrizes próximas do parto e novilhas de primeira cria. Esses grupos atravessam fases de elevada exigência nutricional e podem sentir com maior intensidade a redução da oferta de proteína e energia das pastagens.

Durante a lactação, a vaca precisa atender simultaneamente às necessidades do próprio organismo e à produção de leite para o bezerro. Quando o pasto perde qualidade, o animal pode recorrer às reservas corporais para compensar a deficiência, provocando perda gradual de condição corporal e podendo comprometer também seu desempenho reprodutivo.

As matrizes próximas do parto também merecem atenção. Com o desenvolvimento do feto, a demanda por nutrientes aumenta e a vaca pode chegar ao parto com reservas abaixo do ideal quando a alimentação é insuficiente. Nas novilhas de primeira cria, o desafio é ainda maior, já que elas precisam conciliar o desenvolvimento corporal com a gestação.

Mas será que todo o rebanho precisa receber o mesmo suplemento? Não necessariamente. Uma vaca adulta em manutenção apresenta necessidades diferentes de uma fêmea em lactação ou de uma novilha ainda em crescimento. A divisão dos animais por categorias permite direcionar melhor os recursos e priorizar os lotes mais exigentes.

Os animais jovens também não devem ser esquecidos. Bezerros recém-desmamados e bovinos em recria dependem de uma oferta adequada de nutrientes para manter o desenvolvimento. Quando a qualidade do pasto cai, o ganho de peso pode desacelerar e, em situações mais severas, ocorrer perda de peso, prolongando o período necessário para alcançar os objetivos do sistema produtivo.

Antes de definir qualquer suplementação, o produtor precisa avaliar a quantidade e a qualidade da forragem disponível na propriedade. Quando há matéria seca suficiente, mas com menor valor nutricional, o suplemento pode ajudar no aproveitamento do pasto. Já quando existe falta de volume, podem ser necessárias alternativas como silagem, feno, pastagens reservadas ou outras fontes de volumoso.

A condição corporal dos animais também funciona como um importante sinal de alerta. Matrizes que começam a perder cobertura de gordura ou chegam muito magras ao final da gestação precisam de atenção especial. Acompanhar o rebanho durante a estiagem permite identificar problemas antes que eles avancem e ajustar o manejo conforme a necessidade de cada lote.

Outro ponto importante é o custo. A melhor estratégia nutricional não é necessariamente a que utiliza mais suplemento, mas aquela que apresenta equilíbrio entre investimento, objetivo produtivo e retorno esperado. Em determinadas propriedades, pode ser necessário priorizar a manutenção do ganho de peso. Em outras, o objetivo principal será atravessar o período seco preservando a condição corporal dos animais.

Por isso, o planejamento antes e durante a estiagem pode fazer diferença no resultado final. Vacas em lactação, matrizes próximas ao parto e novilhas de primeira cria estão entre as categorias que normalmente exigem maior atenção, enquanto os animais em recria também precisam ser acompanhados. Mais do que simplesmente aumentar a quantidade de alimento no cocho, a suplementação na seca deve ser baseada em observação, divisão por categorias e planejamento para reduzir perdas e aumentar a eficiência do sistema.

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