Incêndio atinge 20 mil hectares em Mato Grosso enquanto produtores tentam conter avanço das chamas

Um incêndio suspeito de origem criminosa já atingiu uma área estimada em 20 mil hectares em Nova Santa Helena, no norte de Mato Grosso. O que provocou o avanço das chamas? Quantas propriedades ainda estão ameaçadas? E até onde o fogo pode chegar durante o período de estiagem? Bombeiros, brigadistas, agentes da Força Nacional, produtores rurais e moradores trabalham para conter as diferentes frentes de incêndio que avançam pela região.

A dimensão da área afetada corresponde a aproximadamente 200 quilômetros quadrados, colocando em risco vegetação, pastagens e estruturas utilizadas pela atividade agropecuária. O fogo também chegou às proximidades de um assentamento rural, aumentando a preocupação com moradias e áreas produtivas.

A ocorrência mobilizou produtores que passaram a participar diretamente das ações de contenção. Tratores, máquinas pesadas e caminhões-pipa estão sendo utilizados na abertura de aceiros e no resfriamento de áreas consideradas críticas, numa tentativa de impedir que as chamas avancem para novas propriedades.

Em incêndios de grandes proporções, os prejuízos podem ultrapassar a perda da vegetação. Cercas, pastagens, galpões, currais, máquinas e animais ficam expostos quando o fogo avança sem controle. Por isso, parte do trabalho em Nova Santa Helena está concentrada na criação de faixas de proteção para reduzir a velocidade das chamas.

As condições climáticas também dificultam o combate. A baixa umidade, as temperaturas elevadas e o acúmulo de material vegetal seco favorecem a rápida propagação do fogo, principalmente durante períodos prolongados sem chuva. O vento pode ainda transportar fagulhas e fazer com que as chamas ultrapassem estradas, aceiros e limites entre propriedades.

Durante a operação, quatro homens foram presos sob suspeita de provocar incêndios na região. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, foram encontrados elementos que indicariam o uso deliberado de materiais para iniciar focos de fogo em áreas de vegetação.

Três suspeitos foram abordados durante a ação. Outro homem teria deixado o local antes da chegada das equipes policiais, mas acabou localizado posteriormente. O caso continua sendo investigado pelas autoridades, que buscam esclarecer a origem dos diferentes focos e a participação de cada suspeito.

As prisões, entretanto, não significam que toda a área de aproximadamente 20 mil hectares tenha sido destruída diretamente pelos focos atribuídos aos homens presos. A investigação deverá determinar quais incêndios tiveram origem criminosa e qual foi a extensão da responsabilidade de cada envolvido.

Nova Santa Helena também aparece entre os municípios de Mato Grosso com maior concentração de focos de calor neste início de agosto. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontaram 55 focos de calor no município entre os dias 1º e 9 de agosto, colocando a região entre os principais pontos de atenção no estado.

Mato Grosso já vinha registrando uma elevada ocorrência de incêndios em 2026. Dados oficiais do INPE apontaram 1.440 focos ativos no estado apenas em junho, o maior número registrado entre as unidades da Federação naquele mês.

O segundo semestre costuma concentrar uma das fases mais críticas para queimadas no Centro Oeste. A combinação de vegetação ressecada, baixa umidade do ar, temperaturas elevadas e ausência de chuvas cria condições para que pequenos focos se transformem rapidamente em grandes incêndios.

O INPE já havia alertado para o aumento do risco de incêndios florestais durante agosto e setembro de 2026, principalmente em áreas do Brasil Central e na faixa sul da Amazônia. Em regiões rurais, a combinação de vento e material vegetal seco pode facilitar ainda mais a expansão das chamas.

O incêndio ocorre ainda durante o período de restrição ao uso do fogo em áreas rurais de Mato Grosso. No Cerrado e na Amazônia mato grossense, a proibição começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026. Além das sanções administrativas, provocar incêndio em floresta ou outras formas de vegetação pode configurar crime ambiental. A Lei nº 9.605/1998 prevê, para incêndio provocado de maneira intencional, pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa.

Com milhares de hectares já atingidos, bombeiros, brigadistas, agentes da Força Nacional e produtores continuam mobilizados para impedir que o fogo avance sobre novas áreas. Enquanto as equipes atuam no combate às chamas, as autoridades seguem investigando a origem dos focos e a eventual participação criminosa. Para os produtores, o episódio expõe novamente a vulnerabilidade das propriedades rurais durante a estiagem e os riscos de prejuízos provocados por incêndios que ultrapassam os limites das propriedades.

Tópicos:

PUBLICIDADE

Preencha abaixo e receba as notícias em primeira mão pelo seu e-mail

PUBLICIDADE

Nossa responsabilidade é muito grande! Cabe-nos concretizar os objetivos para os quais foi criado o jornal Diário do acre