A arroba do boi gordo encerrou a semana em um cenário de estabilidade, mesmo diante da pressão dos frigoríficos e da desaceleração das exportações de carne bovina no início de agosto. A oferta limitada de animais terminados continua sendo o principal fator de sustentação dos preços, reduzindo o espaço para quedas mais expressivas.
No mercado físico, houve leve recuo nas praças monitoradas pela Agrifatto. São Paulo registrou a principal queda do dia, de 0,74%, com a arroba chegando à média de R$ 347,13. Na B3, o contrato com vencimento em outubro de 2026 também caiu, recuando 1,03% e encerrando o pregão a R$ 354 por arroba.
Apesar dos ajustes negativos, o mercado físico permanece firme. O ritmo de negócios foi moderado, mas a dificuldade dos frigoríficos para encontrar animais prontos para o abate impede uma pressão baixista mais intensa. As escalas continuam relativamente curtas, mantendo os pecuaristas em uma posição de maior poder de negociação.
Segundo a Agrifatto, os frigoríficos ainda encontram dificuldades para alongar suas programações de abate, justamente em um período marcado pela aproximação da segunda quinzena do mês e por um consumo doméstico mais lento. A oferta enxuta reduz a capacidade da indústria de pressionar de forma mais agressiva os preços pagos pelo gado.
O comportamento, porém, varia entre as regiões. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, frigoríficos de maior porte no Centro Sul estão em situação um pouco mais confortável, com maior participação de animais de parceria e escalas reorganizadas após períodos de férias coletivas. Na Região Norte, por outro lado, frigoríficos menores continuam encontrando dificuldades para comprar gado e completar suas programações.
Nas principais referências da Safras & Mercado, o boi gordo a prazo ficou em R$ 355 por arroba em São Paulo, R$ 335 em Goiás, R$ 335 em Minas Gerais, R$ 340 em Mato Grosso do Sul, R$ 330 em Mato Grosso e R$ 338 em Rondônia. Goiás e Rondônia registraram altas semanais, enquanto as demais praças permaneceram estáveis.
Se a oferta restrita impede uma queda mais acentuada, o mercado interno também funciona como freio para novas altas. Em São Paulo, segundo a Scot Consultoria, os preços permaneceram estáveis diante do equilíbrio entre oferta e demanda. Os frigoríficos seguem comprando apenas o necessário para manter as escalas, que atendiam, em média, oito dias.
O escoamento da carne bovina no mercado doméstico continua lento, dificultando o repasse de eventuais aumentos da matéria prima para o consumidor. Esse equilíbrio reduz o espaço para uma nova arrancada dos preços no curto prazo, mesmo com os vendedores mantendo o controle sobre a oferta de animais terminados.
Entre as praças acompanhadas pela Scot Consultoria, o Paraná registrou alta de R$ 2 por arroba, enquanto os preços da vaca e da novilha permaneceram estáveis. No Pará, as cotações ficaram estáveis após as altas registradas nas diferentes praças do estado no dia anterior. A restrição da oferta continua sendo uma característica importante do mercado regional.
No mercado externo, o início de agosto trouxe desaceleração nos embarques brasileiros. Na primeira semana do mês, o Brasil exportou 52,4 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 10,5 mil toneladas, 17,9% abaixo da média diária registrada em agosto de 2025. Apesar disso, o preço médio da tonelada chegou a US$ 6,2 mil, alta de 10,5% na comparação anual.
A China permanece como um dos principais pontos de atenção para o mercado. De acordo com Fernando Henrique Iglesias, a desaceleração das exportações está relacionada principalmente ao esgotamento precoce da cota brasileira disponibilizada pelo país asiático. A menor participação chinesa reduz o ritmo de aquisição de animais por parte de frigoríficos exportadores mais dependentes daquele mercado.
Diante desse cenário, o boi gordo entra em um novo período de equilíbrio, sustentado pela oferta limitada, mas pressionado pelo consumo interno mais fraco e pela desaceleração das exportações. Para os próximos dias, a tendência é de um mercado firme e mais acomodado, com diferenças entre as regiões. O comportamento das escalas de abate e a evolução dos embarques serão decisivos para determinar se a arroba retomará a alta ou permanecerá próxima dos atuais patamares.


