Depois de uma pesquisa servida como combo para o start da campanha da Mailza Assis, pelo instituto do Diretor do Imac, cujos números assustaram até os ossos de Plácido de Castro, vem nesta quarta-feira mais uma pesquisa realizada em método presencial, do Instituto DELTA. Contando desde março, temos o quadro abaixo, considerando os votos válidos, ou seja, excluindo brancos e nulos e distribuindo “não sabem” conforme os que se decidiram.
Quadro 1 – Pesquisas DELTA normalizado
| Coleta | Alan (válidos) | Mailza (válidos) | Bocalom (válidos) | Thor (válidos) |
| 16–21 mar | 50,44% | 25,97% | 19,49% | 3,35% |
| 1–6 jun | 50,68% | 24,86% | 21,89% | 2,56% |
| 27–30 jun | 50,00% | 23,33% | 23,64% | 3,03% |
| 11–15 jul | 48,56% | 24,72% | 24,47% | 2,27% |
| 4–9 ago | 46,88% | 30,87% | 17,21% | 4,27% |
| 21-25 ago | 40,47% | 36,52% | 18,80% | 4,21% |
Elaboração do autor
O que temos é um desenho perfeitamente normal de uma campanha eleitoral sem grandes sustos, pelo menos até aqui. Sabe-se que durante o mês de agosto a chamada máquina governamental, basicamente definida como distribuição de cargos, benefícios, dinheiro, presença hegemônica na mídia, apoios de prefeitos e parlamentares etc., funcionou como se não houvesse amanhã. Despudoradamente, se ouve em todos os lugares que a máquina levará tudo de arrasto com dezenas de milhares de cabos eleitorais já contratados. O TRE faz de conta que não é com ele.
Esse resultado, portanto, era de se esperar. O alvo maior, aquele que desponta em primeiro lugar desde março – o senador Alan Rick –, vem sendo triturado por essa máquina e, obviamente, teria que apresentar queda significativa. Manter a dianteira nessas circunstâncias é surpreendente.
Como venho fazendo há algum tempo, fiz novamente uma rodada de simulações com o método Monte Carlo para verificar as probabilidades de vitória de cada um no primeiro turno. Esse método roda 100.000 simulações em modelo Dirichlet-Multinomial, com as categorias = [Alan, Mailza, Bocalom, Thor, Outros]. O resultado é o seguinte:
Monte Carlo (probabilidade de terminar em 1º no 1º turno) – Snapshot (apenas hoje): Alan Rick: ~92%; Mailza Assis: ~8%; Tião Bocalom: <0,1%; Thor Dantas: ~0%
Os dados acima podem ser lidos de forma sucinta: Hoje, a vantagem de ~3,9 p.p. em válidos sustenta ~92% de chance de liderança de Alan. Repito: HOJE. Ocorre que temos ainda 45 dias de campanha efetiva, período em que, como ficou provado, entrarão em confronto a máquina e os candidatos.
Com os mesmos dados, rodei uma projeção de 2º turno (Alan x Mailza) via Monte Carlo, com base na pesquisa de hoje: Alan 43,54%; Mailza 40,06% (resto = 16,40%).
O resultado eleitoral é por votos válidos. Pela propriedade da Dirichlet, a fração de votos válidos para Alan no 2º turno segue uma distribuição com parâmetros baseados apenas nas “contagens” de Alan e Mailza.
Resultados principais do modelo:
- Probabilidade de Alan vencer o 2º turno (ter >50% dos válidos): ≈ 89%
- Probabilidade de Mailza vencer: ≈ 11%
- Intervalo de 95% para a fatia de válidos de Alan: ≈ 48,7% a 55,5%
- Margem esperada (Alan − Mailza, em válidos): ≈ +4,22 p.p.
- Intervalo de 95% para a margem: ≈ −2,5 p.p. a +11,0 p.p.
- Probabilidade de Alan ultrapassar 55% dos válidos: ≈ 4,6%
- Probabilidade de Alan ultrapassar 52,5% dos válidos: ≈ 41%
A leitura básica é que a eleição está a depender dos votos indecisos e, no provável segundo turno, da propensão a votar dos eleitores de Bocalom e Thor Dantas.
Saindo um pouco da estatística, vale trazer à análise um ponto importante revelado nos últimos dias pelas sabatinas realizadas pelo site ac24horas e pela TV Rio Branco. De fato, a candidatura governamental faz ver que se trata de um vazio mental e argumentativo representado pela governadora Mailza Assis, que lembra muito a Dilma Rousseff em seus bloqueios cognitivos, contra candidatos efetivamente preparados para o enfrentamento de disputas intelectuais.
Neste sentido, pode-se dizer que Bocalom bate um bumbo de uma nota só (produzir para empregar), mas bate, que Thor Dantas é excessivamente técnico e desideologizado, mas sabe o que diz (e o faz com maestria) e que Alan Rick é muito político, mas é de política que se trata. Há três identidades postas na vitrine, enquanto a candidata-governadora se perde em um “brain fog” denso.
É impossível prever os fatos, pois a cada dia surgem novidades, e alguns passivos podem ser contundentes ao ponto de colocar no corner qualquer dos candidatos. E tem os debates. É claro que, por ser mulher, a Mailza poderá exibir a bandeira “contra a misoginia” cada vez que se sentir agredida. Recomenda-se, pois, aos candidatos, especialmente nos confrontos diretos, toda gentileza no trato com a governadora, ninguém quererá passar à história como agressor de mulheres.
De todo modo, ainda durante esta semana teremos mais duas pesquisas a analisar. Estimo que não devam destoar muito dessa DELTA, se realmente retratarem a realidade momentânea e não o desejo de um ou outro financiador ou altruísta disposto a fazer pesquisa por esporte. Aguardemos.
Valterlucio Campelo
Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP.
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