Valterlucio Campelo: Continuidade ou mudança? A vez do eleitor

A sociedade brasileira estará no próximo domingo escolhendo em eleições livres o seu presidente, seus governadores estaduais e mais os representantes no senado (duas vagas), na câmara federal e nas assembleias estaduais. Ao todo, serão 6 votos disponíveis ao eleitor que pode mudar ou dar continuidade ao que temos na política em 2026.

Importante notar que desde a redemocratização estamos entre Lula e um anti-Lula. São 10 eleições, contando com a eleição e reeleição da Dilma, já que se tratava de um poste ali colocado como preposto. Quem tinha 18 anos de idade e pouco pelo na cara em 1989, e votou em Lula na esperança de mudar o país, pode estar fazendo a mesma coisa 37 anos depois, aos 55 anos de idade, já com barba branca e netos nas visitas de fim de semana. Politicamente, esse iludido se encontra onde estava, ouvindo o mesmo personagem e seu discurso fajuto.

De outra parte, quem como eu jamais votou em Lula, de certo modo também está fazendo a mesma coisa – lutando contra. Como se vê, vivemos desde então um ciclo medonho de mediocridade, de perda dos melhores momentos da economia mundial, de atraso tecnológico, de corrupção generalizada, de renitência de um projeto maldito nascido na Europa há 150 anos. 

Durante estes 37 anos, descontando Color, Sarney, Temer e Bolsonaro, tivemos nada menos que 26 anos sob domínio da esquerda (FHC, Lula e Dilma). O resultado está aí a nos envergonhar. Lula, aos 80 anos de idade, entre senil e desesperado, ainda se impõe pela capacidade de operar acordos espúrios, dominar rincões de pobreza e nutrir a dependência do Estado. É o único eleitoralmente viável para a esquerda que, de escândalo em escândalo, matou na raiz suas novas lideranças e, quem sabe, um arejamento de suas ideias malsãs.

No senado e na câmara dos deputados, espelhando o governo federal, emergiu a mais notória delinquência política. Nas duas casas, há tempos, o comando vai para quem for mais competente em fazer conchavos, comprar e vender bancadas e garantir que as longas caudas de seus membros não serão puxadas pelo STF. Desde 1987 tivemos 18 presidentes da Câmara dos Deputados e, excetuando Luis Eduardo Magalhães e Aldo Rebelo, nenhum que realmente estivesse à altura do cargo. Atualmente, Alcolumbre e Motta se lambuzam com Vorcaro em supremas orgias.

Se poderia perguntar: Não há grandes políticos ou tribunos de excelência no parlamento? Talvez haja, mas o tempo de hoje não lhes pertence. A vez é dos mercadores de emendas, cargos, verbas e votos.

Paralelamente, o STF, transformado em base jurídica da organização lulopetista, faz o diabo entre os convescotes com criminosos e as poltronas supremas de onde opera a perseguição à direita. A fuga do impeachment está garantida pelos aliados no congresso. Enquanto isso, a sociedade é mantida sob controle, com assistência da mídia, das universidades, dos artistas e da banca.

Neste sentido, o eleitor tem poucas opções já que a maior parte dos candidatos se apresenta com esse discurso miserável – trazer emendas para a obrinha da base. Poucos deles conseguem observar o verdadeiro e elevado papel do parlamentar em uma democracia representativa. Quase nenhum conhece a pauta legislativa e as grandes questões nacionais. É lastimosa a escolha do voto para o parlamento.

Para o governo do Acre temos, a rigor, quatro candidaturas. Duas velhas (Mailza e Bocalom) e duas novas (Alan Rick e Thor Dantas), isto se levarmos em conta o discurso e o itinerário apresentado nos programas de entrevistas e debates. A situação atual do Acre não é confortável. Vejam os números. Na semana passada, o jornal Folha de São Paulo em conjunto com o DATA Folha lançou uma publicação sobre a eficiência dos governos estaduais. Estamos em penúltimo lugar, à frente apenas do Amapá. Lembrando que eficiência significa a capacidade de obter resultados em função dos recursos disponíveis. Temos a primeira relação R$/habitante e a penúltima entrega de resultados. Para saber para onde vai o dinheiro, pergunte à polícia federal.

Se não bastasse a nossa percepção diária, potencializada pelas operações costumeiras da polícia federal sobre órgãos do governo, de que o Acre se afundou na má gestão e corrupção, os números são um tapa na cara. Se quisermos um emblema, em termos de eficiência, diria que o Acre é a ponte Paolino Baldassari em Sena Madureira.

As assembleias estaduais, aproveitando o momento político, passaram a espelhar a câmara federal. Os mesmos expedientes, incluindo emendas parlamentares, foram replicados. Cargos, acordos e facilidades são negociados no varejo, sem a mínima observância de capacidade ou mérito. Em unidades de baixa população como o Acre, a proximidade entre política e sociedade não permite que tais comportamentos sejam desconhecidos. Enchem o governo de incompetentes e depois querem reclamar da miserável eficiência da gestão.

No próximo domingo, mais uma vez o povo é chamado à mudança. Lula, o populista encardido, aposta que depois de 37 anos, 26 deles no poder, a esquerda será redentora e resolverá a questão da desigualdade. Entre um gole e outro, garante que desta vez eliminará a fome nem que seja com mounjaro injetado diretamente na barriga. Com chapéu de gangster na cabeça, promete enfrentar Donald Trump de igual para igual, enquanto passa pano para as “nossas” organizações narcoterroristas. Até a mídia amestrada já percebeu que Lula está mofado.

No Acre a incumbente enfrenta a pressão por mudança se despregando do governo do qual fez parte por 4 anos. A frase “assumi agora, não sei de nada” me lembra outra, mais famosa: “o que aconteceu em Vegas, fica em Vegas”, que emblematiza o esquecimento das estrepolias que ficaram para trás. Ocorre que o Acre não é Las Vegas. Por aqui, o que vale é “eu sei o que você fez no verão passado”, repetida pelos mais relevantes adversários e por pessoas comuns em todos os mercados, academias, botequins, barbearias e salões de beleza da vida. Ultimamente, entrou em discussão um diploma supostamente falso de pedagoga a ser explicado pela governadora. Do outro lado, há sérios concorrentes insistindo na mudança, apontando os erros, os números e as ocorrências nefastas, incluindo a corrupção entranhada.

É preciso dizer que a política vive de ciclos mesmo. Com acertos e erros, todos tem fim algum dia, gerando oportunidade à renovação de quadros e ideias. Alguns são encurtados quando a população percebe a tempo a cilada, outros duram décadas até que por estafa ou por ação adversária, desocupam o espaço. Porém, nenhum termina por desistência. Nenhum se declara finado mesmo que o cheiro de podre empesteie o ar à sua volta. Sempre será necessário remover a desgraça resiliente e operar a mudança para que o novo encontre seu lugar.

Em resumo, precisamos todos pensar e repensar. Mantém ou muda? Aprova o que está aí ou experimenta outro caminho? Quem terá autoridade moral para estabelecer uma governança honesta e competente? Quatro anos é muito tempo e o arrependimento não apaga a má decisão. Esperemos que haja eleitores conscientes em número suficiente para que saia das urnas o melhor resultado.

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Valterlucio Campelo

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor  PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP.

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