O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que aceitará os resultados das eleições de meio de mandato e está disposto a negociar com os democratas, que avançaram no controle do Congresso. A declaração foi feita ao jornal The New York Times, em meio à derrota do Partido Republicano nas disputas legislativas.
“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, afirmou Trump. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos poder trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a algum acordo.”
A manifestação contrasta com declarações anteriores do republicano sobre a confiabilidade das eleições americanas. Durante a campanha, Trump havia condicionado o reconhecimento de uma eventual derrota à integridade da votação. Questionado em 27 de outubro se aceitaria o resultado, respondeu: “Sim, se [os resultados] forem honestos.”
O presidente também procurou se eximir da responsabilidade pelo desempenho de seu partido. Em publicação na rede Truth Social, destacou que não estava concorrendo nesta eleição e afirmou: “Se eu estivesse, teríamos vencido de lavada“.
Nas semanas anteriores, no entanto, Trump participou de comícios em diferentes estados e pediu aos apoiadores que votassem nos candidatos republicanos como se ele próprio estivesse nas cédulas.
Reações após votação
Embora tenha indicado disposição para reconhecer o resultado eleitoral, Trump publicou uma série de críticas a aliados e veículos de comunicação conservadores no Truth Social.
Entre os alvos estava o governador do Texas, Greg Abbott, a quem o presidente chamou de “RINO”, sigla utilizada de forma pejorativa para designar republicanos considerados pouco alinhados ao partido. Trump afirmou que Abbott poderia ter evitado a derrota caso tivesse preservado suas posições políticas anteriores.
O presidente também atacou a Fox News por abrir espaço ao ex-prefeito democrata de Nova York Bill de Blasio. Na avaliação de Trump, a presença de representantes da oposição na programação da emissora contribuiu para os resultados desfavoráveis aos republicanos.
Em outra publicação, disse que passaria a comentar as disputas eleitorais para explicar as vitórias e derrotas dos candidatos. Também compartilhou a imagem de um boné vermelho com a palavra “VETO”, em referência à prerrogativa presidencial de rejeitar projetos aprovados pelo Legislativo.
Congresso sob oposição
O avanço democrata nas eleições altera a relação de forças em Washington e amplia a capacidade da oposição de fiscalizar o governo. Com a maioria na Câmara dos Representantes, o partido poderá conduzir investigações, convocar integrantes da administração Trump e examinar decisões da Casa Branca.
A nova composição também abre a possibilidade de um terceiro processo de impeachment contra o presidente. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que a legenda ainda não tomou uma decisão sobre o assunto, mas não descartou a iniciativa. Segundo ele, qualquer medida deverá ser fundamentada nos fatos, nas leis e na Constituição dos Estados Unidos.
Trump já sofreu dois processos de impeachment, em 2019 e 2021, durante seu primeiro mandato, e foi absolvido pelo Senado em ambos. Uma nova acusação precisaria de maioria simples na Câmara para ser aprovada. A eventual destituição exigiria o voto favorável de dois terços dos senadores presentes no julgamento.
O reconhecimento dos resultados anunciado nesta terça-feira também marca uma diferença em relação à reação de Trump à derrota presidencial de 2020. Naquele ano, após perder para Joe Biden, o republicano passou a alegar fraude eleitoral, sem apresentar provas que sustentassem as acusações.



