A inflação ao consumidor nos Estados Unidos continua pressionada e pesa cada vez mais no bolso das famílias. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,2% em julho, após alta de 0,3% em junho, segundo o último relatório do Bureau of Labor Statistics (BLS). Nos últimos 12 meses, o indicador acumula aumento de 2,7%. O item habitação foi o principal responsável pelo avanço mensal, mas a alimentação também segue no radar: o índice de alimentos subiu 2,9% no último ano.
Além disso, a variação ocorre ao mesmo tempo em que teve início a vigência da tarifa de 50% imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a uma série de produtos brasileiros.
A carne bovina, por exemplo, atingiu valores recordes. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a carne moída — usada nos tradicionais hambúrgueres — registrou pelo segundo mês consecutivo o maior preço da série histórica, cotada em US$ 6,25 por libra (cerca de R$ 75 o quilo, ao câmbio de R$ 5,47).
Impacto no dia a dia
A pedido do Agro Estadão, uma brasileira que vive há quase três anos em Orlando (EUA), relata que a alta dos preços chegou com força nos alimentos importados do Brasil. O crescimento médio nos quatro produtos listados pela consumidora foi de cerca de 43,7% em relação ao último mês.
“O flocão de milho de uma marca conhecida passou de US$ 2,49 para US$ 3,49. A farinha de mandioca subiu de US$ 2,50 para US$ 3,99. O leite em pó, que era US$ 7,99, agora está US$ 9,99. O café passou de US$ 7,99 para US$ 11,99”, contou a brasileira que preferiu não se identificar.
Mas o maior susto, conta a brasileira, foi com o preço da carne moída que mais que dobrou — alta de cerca de 106%. “No Walmart, uma marca que custava US$ 17 agora está US$ 34,99”, afirmou.
Tarifa e escassez de gado
A disparada ocorre em um momento em que o governo de Donald Trump decidiu impor tarifas de 50% sobre alguns produtos brasileiros, incluindo a carne bovina. Mas, conforme noticiado pelo Agro Estadão, analistas destacam que o problema vai além das medidas comerciais.
O rebanho bovino norte-americano está em 94,2 milhões de cabeças, 1% abaixo do ano passado. Apesar da leve recuperação frente a janeiro — quando o estoque era o menor desde 1951 — a oferta ainda é considerada restrita.
Outro fator que preocupa é a entrada da bicheira Novo Mundo, conhecida como “devoradora de gado”, pela fronteira com o México. A praga, cujas larvas se alimentam de tecido vivo em feridas dos animais, levou o USDA a anunciar um investimento de até US$ 750 milhões na construção de uma biofábrica no Texas para produzir moscas estéreis em laboratório e conter a disseminação.