Estado acompanha cenário internacional após ofensiva dos EUA e prisão de Nicolás Maduro e reforça articulação com o governo federal.
O Governo do Acre divulgou nota oficial neste sábado, 3, informando que acompanha de forma permanente a situação migratória nas fronteiras do estado diante do agravamento do cenário político e militar na Venezuela. A medida ocorre após a ofensiva liderada pelos Estados Unidos e a prisão do presidente Nicolás Maduro, registrada na madrugada do mesmo dia, episódio que elevou a tensão regional e reacendeu alertas sobre possíveis impactos humanitários.
De acordo com o comunicado, o monitoramento está sendo realizado de forma integrada pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos e pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, em articulação direta com o governo federal. A principal preocupação do Executivo estadual é uma eventual intensificação do fluxo migratório em direção ao Acre, especialmente pela fronteira de Assis Brasil, rota historicamente utilizada em momentos de instabilidade nos países vizinhos.
Na nota, o governo afirma que as equipes técnicas estão atentas aos desdobramentos do conflito internacional e preparadas para atuar caso haja aumento significativo na entrada de migrantes. O Executivo destaca que a atuação do estado se baseia na garantia dos direitos humanos, na oferta de assistência social às pessoas em situação de vulnerabilidade e na preservação da segurança pública em todo o território acreano.
“O Governo do Acre está monitorando a situação migratória na fronteira do estado e trabalhando em parceria com o governo federal para garantir os direitos humanos, a assistência social e a segurança pública”, afirma o texto oficial. O comunicado também reforça o compromisso institucional com a proteção e o bem-estar de todos os cidadãos, independentemente da nacionalidade, ao mesmo tempo em que ressalta a importância da manutenção da ordem e da segurança.
O posicionamento ganha relevância diante do histórico recente do Acre como uma das principais portas de entrada de migrantes no país. Dados do Sistema Nacional de Refúgio apontam que, ao longo de 2025, o estado contabilizou 828 pedidos de reconhecimento da condição de refugiado. Os venezuelanos lideram com 449 solicitações, seguidos por cidadãos da Colômbia, Cuba, Peru, Equador e Haiti, além de registros de pessoas oriundas da África, do Oriente Médio e do Caribe.
A maior concentração dos pedidos ocorre em municípios localizados na faixa de fronteira, com destaque para Assis Brasil, que respondeu por 681 solicitações, e Epitaciolândia, com 111. Especialistas avaliam que o agravamento da crise política e militar na Venezuela tende a refletir diretamente no aumento dos pedidos de refúgio em estados fronteiriços como o Acre, exigindo atenção redobrada e planejamento preventivo para mitigar impactos sociais e humanitários.



