A internet via satélite pode estar prestes a ganhar uma nova concorrente de peso no Brasil. A Amazon avançou no processo regulatório para colocar o Amazon Leo em operação no país, antigo Project Kuiper, abrindo a possibilidade de disputar com a Starlink um mercado estratégico: as propriedades rurais afastadas dos grandes centros.
A movimentação ganhou força após a homologação, pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), do roteador que fará parte da estrutura do Amazon Leo. O certificado nº 03127-26-18543 foi emitido para a Amazon Kuiper Brasil e identifica o equipamento pelo modelo L1LA10, autorizando sua comercialização desde que cumpridas as demais exigências regulatórias.
A homologação, porém, não significa que o serviço já esteja disponível para produtores brasileiros. Ainda há etapas a serem cumpridas, entre elas o avanço da homologação da antena externa responsável pela comunicação com os satélites. Também não há, até o momento, confirmação oficial sobre preços ou data de início das vendas no país.
Para o agronegócio, a possível chegada de um novo concorrente tem importância que vai muito além de oferecer internet para a sede da fazenda. Máquinas agrícolas, sistemas de gestão, telemetria, estações meteorológicas, câmeras, sensores, balanças eletrônicas e ferramentas de monitoramento de rebanhos dependem cada vez mais de conectividade. Quanto mais digitalizada a propriedade, maior tende a ser a importância de uma conexão estável.
O Amazon Leo foi desenvolvido justamente para atender regiões onde as redes convencionais possuem cobertura insuficiente. A constelação inicial prevê mais de 3 mil satélites em órbita baixa da Terra, uma arquitetura que permite menor latência em comparação com sistemas tradicionais de satélites geoestacionários. A Amazon prevê terminais com diferentes capacidades, chegando, segundo a empresa, a até 1 Gbps de download no modelo Leo Ultra.
A estratégia pode ter impacto especialmente relevante em grandes propriedades rurais. Uma fazenda pode possuir sede, armazéns, currais, oficinas, pivôs, confinamentos e outras estruturas espalhadas por quilômetros. A conectividade via satélite pode permitir a integração de diferentes pontos da propriedade, além de facilitar o monitoramento de máquinas, funcionários, animais e operações agrícolas.
A Amazon também trabalha em uma frente ainda mais ambiciosa, o Amazon Leo Direct-to-Device, voltado à comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis compatíveis. A tecnologia ainda depende de infraestrutura, dispositivos, frequências, acordos com operadoras e autorizações regulatórias para chegar a diferentes mercados. No meio rural, uma solução desse tipo poderia ampliar a comunicação em áreas onde o sinal de telefonia convencional é limitado ou inexistente.
Por enquanto, a principal novidade para o produtor brasileiro é a homologação do roteador, enquanto outras etapas regulatórias ainda precisam avançar. Se o Amazon Leo efetivamente entrar no mercado nacional, a disputa com a Starlink poderá aumentar a concorrência por um dos ativos mais importantes do agronegócio moderno: a conectividade. Para quem produz longe dos grandes centros, mais concorrência pode significar novas opções de equipamentos, planos, preços e soluções para manter a propriedade conectada.


