Arroba do boi gordo vai disparar com abertura do mercado da Coreia? veja cotações

O mercado físico do começou a semana com novas altas nas principais praças pecuárias do país, refletindo a dificuldade dos frigoríficos em adquirir animais prontos para abate. Apesar de um ritmo de exportações inferior ao registrado em julho do ano passado, o setor recebeu um impulso com o avanço das negociações para abertura do mercado da Coreia do Sul à carne bovina brasileira.

Segundo levantamento da Agrifatto, nesta segunda-feira (27) as cotações avançaram na maior parte das regiões monitoradas. O destaque ficou para Goiás, onde a arroba registrou valorização diária de 0,52%, sendo negociada, em média, a R$ 321,34.

No mercado futuro, o movimento também foi positivo. O contrato do boi gordo com vencimento em setembro de 2026, negociado na B3, fechou em alta de 1,94%, cotado a R$ 352,50 por arroba, reforçando a expectativa de preços firmes nos próximos meses.

A sustentação das cotações continua sendo a oferta restrita de animais terminados.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ambiente permanece favorável aos pecuaristas, já que muitos frigoríficos ainda encontram dificuldades para completar suas escalas de abate, atualmente entre cinco e sete dias úteis na média nacional.

Segundo ele, já há registros de negócios acima das referências médias em algumas regiões, evidenciando a necessidade de compra por parte da indústria.

Os preços médios da arroba encerraram o dia em alta:

  • São Paulo: R$ 343,92
  • Goiás: R$ 327,89
  • Minas Gerais: R$ 321,76
  • Mato Grosso do Sul: R$ 332,61
  • Mato Grosso: R$ 323,04

Exportações crescem na semana, mas seguem abaixo de 2025

Os embarques de carne bovina apresentaram recuperação na quarta semana de julho.

Foram exportadas 54,83 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 10,97 mil toneladas, representando avanço semanal de 53,47%.

Apesar da melhora frente à semana anterior, o desempenho diário continua abaixo do observado em julho de 2025, quando os embarques registravam ritmo mais acelerado.

No aspecto financeiro, a receita acumulada até a quarta semana de julho chegou a US$ 1,243 bilhão, com média diária de US$ 69,07 milhões, crescimento anual de 3,40%.

Já o preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 6,37 mil, registrando leve queda semanal de 0,29%.

Segundo Fernando Henrique Iglesias, o comportamento das exportações segue sendo um dos principais fatores acompanhados pelo mercado nas próximas semanas.

Coreia do Sul pode abrir novo mercado para a carne brasileira

Uma das notícias mais relevantes para a cadeia da carne bovina veio da diplomacia brasileira.

Brasil e Coreia do Sul confirmaram que uma missão sanitária sul-coreana visitará frigoríficos brasileiros em agosto para avaliar as condições necessárias à abertura do mercado para a carne bovina nacional.

O compromisso foi anunciado após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano Lee Jae-Myung, encerrando uma etapa importante de negociações iniciadas há 17 anos.

A visita técnica será conduzida pelo Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais da Coreia do Sul e representa uma das últimas fases antes da eventual habilitação dos frigoríficos brasileiros para exportar ao país asiático.

Caso a abertura seja confirmada, o Brasil ganhará acesso a um dos mercados mais valorizados da Ásia, ampliando as oportunidades para a indústria exportadora.

Mercado futuro segue apostando em oferta mais restrita

Além da valorização registrada nesta segunda-feira na B3, os contratos futuros encerraram a última semana em alta, refletindo a expectativa de menor disponibilidade de animais terminados e maior demanda no último trimestre do ano.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o contrato com vencimento em agosto de 2026 foi o destaque, com valorização semanal de 1,81%, encerrando cotado, em média, a R$ 348,85 por arroba.

Também avançaram os contratos para outubro, novembro e dezembro, que registraram altas de 0,88%, 0,90% e 1,52%, respectivamente.

O instituto destaca que, após atingirem os maiores níveis do período, os contratos passaram por uma correção técnica motivada pela reavaliação das expectativas para a demanda externa no curto prazo. Ainda assim, permanecem negociados acima dos preços registrados na abertura dos respectivos vencimentos.

O início da semana reforça um cenário de firmeza para a arroba do boi gordo, sustentado principalmente pela oferta limitada de animais prontos para abate.

Ao mesmo tempo, o mercado acompanha atentamente a evolução das exportações e as negociações internacionais, especialmente a possível abertura da Coreia do Sul, que poderá representar um importante reforço para a demanda pela carne bovina brasileira nos próximos meses.

Enquanto isso, frigoríficos seguem competindo pela compra de animais, cenário que mantém o viés positivo para os preços, embora o desempenho das exportações continue sendo um dos principais fatores para definir o comportamento da arroba ao longo do segundo semestre.

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