Símbolo da cultura alimentar amazônica e um dos principais produtos da bioeconomia regional, o açaí será um dos destaques da programação da II Semana do Clima da Amazônia, evento que será realizado entre os dias 29 de junho e 4 de julho, em Belém (PA). A iniciativa reunirá representantes do setor público, pesquisadores, empresários, organizações da sociedade civil e lideranças da região para discutir caminhos voltados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Entre as atividades previstas está a Mesa Executiva da Bioeconomia – Beneficiamento do Açaí, promovida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas), em parceria com o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e o Projeto Amazônia 2030. O encontro ocorrerá nos dias 1º e 2 de julho, no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia (PBIA), reunindo pesquisadores, chefs de cozinha, comunicadores, empresários e representantes da cadeia produtiva.
Com o tema “Açaí Amazônico: saúde, nutrição e novas aplicações”, a mesa discutirá o potencial do fruto como alimento funcional, suas aplicações na gastronomia e na indústria, além de estratégias para ampliar sua presença nos mercados nacional e internacional. A programação contará ainda com apresentações de empresas, degustações e visitas técnicas a unidades de beneficiamento, proporcionando uma visão prática sobre os desafios e oportunidades da cadeia produtiva.
O debate acontece em um momento de crescente valorização da bioeconomia como alternativa para promover desenvolvimento econômico aliado à conservação da floresta. O açaí é considerado um dos maiores exemplos de produto amazônico capaz de gerar renda, fortalecer comunidades tradicionais e agregar valor aos recursos da floresta de forma sustentável.
A II Semana do Clima da Amazônia será o primeiro grande encontro climático realizado após a COP30 e terá como objetivo acompanhar os compromissos firmados durante a conferência, além de ampliar o diálogo entre lideranças globais e amazônicas. A programação também busca atrair investimentos regenerativos e fortalecer a participação de juventudes, mulheres e povos originários nas discussões sobre mudanças climáticas.
Segundo Lucimar Souza, diretora de Desenvolvimento Territorial do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), um dos correalizadores do evento, a iniciativa representa um importante espaço para ampliar a participação da população amazônica nos debates globais sobre o clima.
“O principal legado da primeira edição foi trazer de forma estruturada para a Amazônia o debate sobre clima e a busca por soluções para os desafios da região. Durante muito tempo, as pessoas ouviam falar das Semanas do Clima acontecendo em outros países, e realizar esse encontro em Belém permitiu ampliar a participação da população amazônica nesse debate”, destacou.
A diretora ressaltou ainda que a Semana do Clima fortalece o protagonismo regional ao criar espaços de diálogo conectados à realidade da Amazônia. “Além de discutir os desafios, a Semana do Clima também é um espaço de aprendizagem sobre o debate climático global, ajudando mais pessoas a compreenderem a importância desse tema”, afirmou.
A edição de 2026 será estruturada em seis eixos temáticos alinhados à Agenda de Ação da COP30. Entre os assuntos previstos estão transição energética, adaptação às mudanças climáticas, economias regenerativas, sociobioeconomia, direitos territoriais, financiamento climático, restauração florestal, ciência, inovação e os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde.
Criada para consolidar a Amazônia como protagonista das discussões climáticas internacionais, a Semana do Clima busca fortalecer políticas públicas, incentivar soluções baseadas na natureza e promover a integração entre governos, setor privado, universidades e comunidades tradicionais. A expectativa dos organizadores é ampliar, nos próximos anos, a realização do evento para outros estados da Amazônia Legal, fortalecendo a construção de soluções a partir dos próprios territórios.



