O senador Márcio Bittar (PL-AC) usou suas redes sociais na noite de terça-feira (23) para criticar a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que barrou a indicação da oposição para que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) assumisse a liderança da minoria. Para Bittar, a medida demonstra “a submissão do Congresso a uma tirania” e evidencia, segundo ele, pressões vindas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em seu pronunciamento, o parlamentar afirmou que decisões tomadas por Motta acabam recuando sempre que há risco de contrariedade a ministros da Corte. “É impressionante como todas às vezes que o presidente da Câmara vai tomar alguma atitude que contraria o interesse de algum ministro do Supremo Tribunal Federal, matérias contra a família dele voltam à tona. Coincidência ou não, sempre há um recuo”, disse Bittar.
O senador também relacionou a decisão ao caso do senador Marcos do Val, que foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica e teve o salário suspenso. “Como garantir a liberdade parlamentar se o próprio presidente da Câmara Federal parece recuar diante da fala ou da ação de um ministro do STF?”, questionou, defendendo que o Congresso precisa assegurar a independência de seus membros.
Bittar sustentou que existe um “sistema de chantagem” que transformaria parlamentares em reféns do Judiciário. Para ele, esse cenário explica porque pedidos de impeachment contra ministros do STF não avançam e porque medidas como a anistia encontram resistência. “Claramente alguns ministros tutelam o Congresso, mandando um recado: ‘ande na linha ou será o próximo’”, declarou.
Por fim, o senador criticou diretamente Hugo Motta, afirmando que sua postura enfraquece o Legislativo. “Ao barrar Eduardo Bolsonaro, a Câmara confessa sua fraqueza. Se até o presidente recua quando contraria o Supremo, imagine os demais parlamentares. Opiniões, palavras e votos dos parlamentares estão protegidos pela Constituição, mas hoje essa imunidade parece perdida”, concluiu.



