Boi gordo a R$ 355/@ no interior paulista segue firme, mesmo com pressão dos frigoríficos

O mercado do boi gordo iniciou a semana sob um cenário de maior pressão nas negociações, com frigoríficos tentando alongar escalas e testar preços mais baixos em importantes praças pecuárias do país. Apesar do movimento baixista apontado por consultorias que acompanham diariamente o setor, a realidade no mercado físico continua mostrando que a oferta de animais terminados segue ajustada em várias regiões.

Levantamento realizado pelo Compre Rural junto a frigoríficos da região de Bofete, no interior paulista, mostra que negócios já estão sendo fechados em R$ 355 por arroba com pagamento à vista, patamar acima de algumas referências médias divulgadas no mercado nesta terça-feira (16), reforçando que ainda existe forte disputa por animais prontos para abate em determinadas praças.

Mercado segue pressionado pelas incertezas envolvendo a China

Segundo análise da Safras & Mercado, as indústrias exportadoras seguem revisando suas estratégias de compra diante do avanço do esgotamento antecipado da cota de exportação da carne bovina brasileira para a China, fator que trouxe cautela adicional ao mercado.

O analista Fernando Henrique Iglesias, da consultoria, destaca que os frigoríficos habilitados para exportação ao mercado chinês já começam a trabalhar com maior seletividade nas aquisições.

Ao mesmo tempo, a demanda internacional continua sustentada por outro importante comprador.

As exportações de carne bovina para os Estados Unidos permanecem aquecidas, com grande necessidade de compra por parte dos norte-americanos em 2026”, aponta Iglesias.

Agrifatto e Scot observam maior pressão nas negociações

Segundo levantamento divulgado pela Agrifatto, o chamado boi-China no interior de São Paulo registrou queda de R$ 10/@, passando para R$ 350/@ no prazo, igualando temporariamente o valor do boi comum sem padrão-exportação.

Das 17 praças monitoradas diariamente pela consultoria, pelo menos 10 registraram desvalorização nesta terça-feira, refletindo o movimento de cautela por parte das indústrias.

Já a Scot Consultoria observa um ambiente de maior incerteza na terceira semana de junho.

De acordo com a consultoria:

“As indústrias que estão abastecidas amanheceram ativas nas negociações, mas ofertando menos pelas boiadas, reflexo de uma oferta que atende à demanda, mas sem excedentes.”

Mercado físico do boi gordo mostra realidade diferente em algumas regiões

Apesar do sentimento mais negativo vindo das bolsas e de parte das consultorias, o mercado físico segue demonstrando um cenário mais heterogêneo.

A apuração realizada pelo Compre Rural mostra frigoríficos ofertando R$ 355/@ com pagamento à vista em Bofete (SP), valor que supera boa parte das médias estaduais divulgadas no dia e evidencia que ainda existem indústrias buscando garantir escala diante da dificuldade em encontrar lotes prontos.

Esse comportamento reforça um ponto importante que o mercado vem observando nas últimas semanas: a oferta existe, mas continua bastante ajustada, principalmente em regiões estratégicas de São Paulo.

Confira as médias da arroba divulgadas nesta terça-feira

Segundo levantamento da Safras & Mercado, as médias nacionais ficaram em:

  • São Paulo: R$ 351,75/@
  • Goiás: R$ 328,39/@
  • Minas Gerais: R$ 326,47/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 342,61/@
  • Mato Grosso: R$ 348,04/@

Enquanto isso, no mercado futuro da B3, os contratos seguem pressionados.

O vencimento para julho de 2026 encerrou cotado a R$ 333,95/@, acumulando a terceira sessão consecutiva de baixa, reflexo direto das preocupações envolvendo o fluxo comercial com a China.

Mercado segue atento aos próximos movimentos

Mesmo com o ambiente mais cauteloso no curto prazo, o pecuarista continua acompanhando um mercado que permanece extremamente sensível a qualquer mudança nas exportações.

A combinação entre escalas relativamente confortáveis em alguns frigoríficos, incertezas sobre as cotas chinesas e uma oferta que segue controlada mantém o mercado dividido entre pressão baixista no papel e resistência no físico.

Por enquanto, negócios como os registrados em Bofete (SP) mostram que, em determinadas regiões, a indústria ainda precisa pagar mais para garantir boiada pronta.

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